Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Jornal “O Dia” ouviu políticos e um delegado sobre a polêmica da proibição do uso de drogas

O início da venda, no dia 1º, de maconha para o chamado “uso recreativo” no estado americano do Colorado reacendeu no Brasil o eterno debate: a legalização das drogas poderia ajudar a diminuir a violência e a corrupção que cercam o tráfico? Para nós, brasileiros, a maconha está entre as drogas consideradas ilícitas — há quem considere o álcool e o cigarro “drogas lícitas”. No embalo do avanço — ou, para alguns, o retrocesso — nos Estados Unidos, é impossível evitar o tema em qualquer roda de conversa.

Para o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS), ferrenho opositor à legalização das drogas, a medida nos Estados Unidos “não resolve, pelo contrário, só piora”. Ele está convencido de que, com a legalização no Colorado e no estado de Washington — onde a venda ainda não começou —, vai “aumentar o consumo, aumentar o número de pessoas doentes e aumentar o número de acidentes de trânsito”. Quando traz a discussão para o Brasil, o parlamentar lembra que somos o único país do mundo com fronteiras com todas as nações produtoras de drogas e opina: “Aqui, (a legalização) seria catastrófica. Vamos observar o Uruguai nos próximos meses…”. No Uruguai, a maconha foi legalizada recentemente. Nos Estados Unidos, o uso medicinal já era autorizado.

Colega de Terra, o deputado Alfredo Sirkis (ex-PV, agora no PSB-RJ) tem opinião contrária: “Penso que a liberação em dois estados norte-americanos abre novos caminhos para reduzir danos das atuais políticas de droga. A economia das drogas mata cem vezes mais que a intoxicação química. Legalizar tira as drogas do controle da bandidagem violenta e coloca na esfera da saúde pública e de campanhas preventivas como as que reduziram muito o vício do tabagismo. Reduz o prejuízo das drogas à sociedade.”

Leia também:  Afinal, o que quer dizer a tal “maconha interna” de Marco Luque?

É exatamente o que pensa o delegado da Polícia Civil do Rio Orlando Zaccone, que é secretário-geral da Leap (sigla em inglês de um grupo que no Brasil se apresenta como Agentes da Lei contra a Proibição). Em miúdos: Zaccone acha, mesmo, que o melhor caminho para o país é derrubar o chamado “proibicionismo” de todas as drogas.

“É importante dizer que nos EUA, diferentemente do Uruguai, isso foi decidido a partir de referendo popular. Então, o que falta ao Brasil é um debate. Acho que o poder público tem que incentivar o debate. Temos que sair da ‘sacralidade’: a maconha não é o diabo e nem cura o câncer. A gente tem que entrar no debate sobre os efeitos da proibição e da legalização. O mercado ilícito da droga gera violência e corrupção. A violência não é efeito da droga, é efeito da proibição”, argumenta Zaccone.

Cesar Maia critica. Marcelo Freixo apoia

O vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) ‘vai’ à Holanda, país onde a maconha é legalizada, para argumentar por que não acredita no modelo de descriminalização das drogas: “O que a experiência holandesa mostra é que não deu certo. Reduziram a quantidade de posse, proibiram o consumo de turistas e criaram carteirinha para consumo máximo. Estimulou o tráfico e o desenvolvimento de tipos de maconha com maior poder tóxico, que afeta as atividades cerebrais.”

Leia também:  Marcha da Maconha: 8 atos pela legalização neste fim de semana, confira

Na Alerj, o deputado Marcelo Freixo (Psol), se coloca em lado oposto: “Sem dúvida que, quando você traz para o controle do Estado, traz benefício para todos, não só para os usuários. É tolice achar que, com a repressão, o uso recreativo não está sendo feito. O que está em debate não é se a maconha deve ser usada em uso recreativo ou não. O que está em debate é se tem que ter o controle do Estado ou não. Os Estados Unidos estão entendendo que (a repressão) não deu certo. O Brasil vai seguir os passos dos Estados Unidos.”

Cabral e FHC defendem alternativas

Em 2011, pouco antes de completar 80 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, surpreendeu ao aparecer como âncora do documentário ‘Quebrando o Tabu’. Gravado em vários países, o filme se propôs a sugerir alternativas para a repressão policial às drogas. “Não é uma questão de colocar na cadeia, porque cadeia é escola do crime”, disse FHC ao iG na época.

Um ano antes, à ‘Folha de S. Paulo’, o governador Sérgio Cabral, recém-reeleito, afirmou que “a proibição leva a mais prejuízo do que uma ação inteligente do poder público”. Cabral disse que iria sugerir à então presidenta eleita Dilma Rousseff que levasse o debate sobre a legalização de drogas “leves” — como a maconha — a fóruns internacionais.

Via Jornal O Dia
Foto: Mídia Ninja – Marcha da Maconha SP 2013

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Escreva seu comentário

DESCONSTRUA

Please enter your comment!
Please enter your name here