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Das 190 pessoas detidas no ato pela educação no dia 15 de outubro de 2013, 70 foram presas, mas uma continua encarcerada. Exatamente um homem negro e com dread lock, forma de cabelo símbolo do movimento rastafári.

O jornal O Globo noticiou que esse ativista era apelidado de “Maconhão”, mas ninguém o conhece por este apelido. O jornal usa de uma tática antiga da polícia e do Ministério Público para buscar a condenação de uma pessoa, denominando-a com apelidos preconceituosos. Em inquéritos e processos, primeiro escrevem o nome e depois de vulgo colocam “Negão, Maconhão, Angolano e outras milhares de formas de discriminação”.

Sabemos que a criminalização da maconha no Brasil tem evidentes raízes racistas. O hábito de fumar maconha foi trazido ao Brasil pelos negros degredados da África. A maconha era chamada, de forma preconceituosa, de “fumo de Angola”. Um psiquiatra brasileiro, o lombrosiano Rodrigues Dória, declarou, em 1915, na Liga das Nações, que a maconha era uma “vingança dos negros contra os brancos em razão da escravidão”. Tal discurso era considerado “científico” àquela época. Assim, conseguiu criminalizar a maconha internacionalmente e incluí-la na lista das “substâncias tornadas ilícitas”, junto com o ópio e a cocaína.

Inventar a alcunha Maconhão para um homem negro e de cabelo rastafári tem o objetivo de criminalizar e marginalizar essa pessoa pelo racismo. A maconha foi criminalizada junto com toda a cultura negra na monarquia e na república brasileira. No caso em tela, trata-se de prisão de réu primário, de bons antecedentes, que conhece mais de 20 países, um poliglota, que fala inglês, francês, espanhol e norueguês. Foi voluntário da missão humanitária quando houve o terremoto no Haiti, carregando corpos. Trabalhou em oficinas de rua com crianças em Salvador, é um brasileiro cidadão do mundo. Promotores, Juízes e Desembargadores do caso poderiam conversar com o ativista na língua que escolhessem para ver a brutal injustiça que estão cometendo. O Jornal O Globo poderia fazer uma entrevista com o ativista na cadeia infernal onde está e, também, poderia escolher a língua.

Vários princípios constitucionais da Carta Política do Brasil e os mais básicos direitos humanos estão sendo violados com esta prisão, destacando-se o da presunção da inocência.

Para todos nós que lutamos pela legalização da maconha no Brasil, que gritamos em nossas Marchas da Maconha o amor e o orgulho de ser maconheiro, a luta pela liberdade desse corajoso ativista é mais do que nunca nossa bandeira, dentre tantos outros injustiçados presos em nome da erva da paz.

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