O Projeto de Lei da Câmara nº 37 de 2013, que está tramitando no Senado, consegue juntar dois dos maiores preconceitos de nossa hipócrita sociedade. 

Loucos, dementes e débeis mentais são algumas das denominações discriminatórias usadas há séculos contra pessoas portadoras de transtornos mentais. Devemos fazer um parênteses para perguntar até o que é ser normal. Eu, por exemplo, jamais gostaria de ser chamado de normal, porque isso significa ser mais um teleguiado nessa racista sociedade capitalista de raízes monarquistas escravocratas.

Maconheiro, chincheiro e drogado são também algumas das denominações usadas historicamente contra pessoas que usam substâncias que até o século XIX eram vendidas legalmente em boticários e fabricadas pela indústria farmacêutica. Eu, por exemplo, odeio ser chamado de careta, porque isso significa ser um sujeito totalmente empacotado por esse capitalismo cognitivo de bases industriais.

O projeto nº 37, encaminhado em junho deste ano ao Senado, é originário da Câmara dos Deputados, protocolado em 2010, recebeu o número 7663 e foi aprovado em maio deste ano por cerca de 350 deputados federais.

O projeto consegue combinar uma lei antidrogas das mais atrasadas, aumentando a pena mínima para o tráfico de 5 para 8 anos, além de introduzir um novo sistema manicomial. Modelo derrubado ao menos na Lei 10216, de 6 de abril de 2001.

As cadeias brasileiras, já superlotadas de supostos traficantes, vão explodir, combinadas com as internações nos novos modelos asilares dos grandes negócios das chamadas comunidades terapêuticas acolhedoras.

A tragédia anunciada desse projeto de lei da Câmara 37/2013 deve ser denunciada e a proposta derrubada.