Dr. André Barros, candidato a deputado estadual pelo PSOL / RJ nº 50420, mestre em ciências penais e advogado da Marcha da Maconha, levanta  a questão em que o hipócrita discurso de combate ao tráfico de drogas varre as comunidades em busca da chamada nova “classe C”.

Até os anos 80, só se vendia maconha nos morros cariocas: prova disso é que os lugares se chamavam “Boca de Fumo” e “Vapor”, nomes ligados à fumaça. Em 1981, junto com pesado armamento, entra a cocaína nas bocas que antes vendiam só maconha. O tráfico fortemente armado começou a estabelecer suas regras nas favelas, tornando-se um verdadeiro poder sobre as vidas dos moradores.

No início desse século, prometendo combater o tráfico, surgem as milícias, grupo de policiais paramilitares, que cobram taxas de proteção, de gás, luz, internet e TV a cabo.

Já nos fins da primeira década desse século, o governo estadual, apoiado pelo governo federal, cria as UPP”s – Unidades de Polícia Pacificadora -, sob o argumento de que era necessário libertar os territórios das favelas do tráfico e da milícia.

Na realidade, estavam de olho na possibilidade da chamada nova classe “C” de começar a pagar pelos “gatos”, ligações clandestinas, de luz, internet e TV a cabo. Tive a oportunidade de presenciar, como membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, a chegada, junto com essas UPP’s, de funcionários da SKY, logo depois da entrada das forças de repressão. Um exército de vermelho constrangendo os moradores a assinarem a TV a cabo legalizada.

A maior reclamação nas comunidades é pela conta de luz*. Antes, em torno de poucos 20 (vinte) reais, passou para 300 (trezentos) a 500 (quinhentos) reais. Qual a finalidade de cobrança tão absurda? Será que esta é uma estratégia de retirada dos moradores de suas casas por intermédio da cobrança de luz?

Toda essa questão é levantada com o hipócrita discurso de combate ao tráfico de drogas. Combatido apenas na ponta da venda e compra dos pobres, principalmente da maconha, a droga tornada ilícita mais consumida. Enquanto isso, beneficiados exatamente pela ilegalidade, poucos milionários com o monopólio da produção distribuem toneladas de drogas em navios, aviões e caminhões de carga. Sendo eleito, vou promover o debate dessa cobrança absurda de luz na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e da exploração da ilegalidade das drogas tornadas ilícitas pelo tráfico, milícias e UPP”s. Vamos denunciar a farsa de todo esse sistema penal punitivo, que só coloca na cadeia jovens, negros e pobres.

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