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Esses dias eu passei por uma roda próxima a um bar e um jovem falou: “Maconha pode não matar, mas maconha sintética mata”. Naquele momento passei, mas não deixei de pensar sobre tal afirmação, que pode não ser totalmente errada, mas possui um equívoco muito grande. A questão é que a tal maconha sintética não é maconha.

O que é divulgado como maconha sintética, na verdade, são drogas sintéticas que agem proporcionando uma sensação semelhante à maconha fumada. Acontece que, com o crescimento das pesquisas relacionadas aos canabinoides e ao sistema endocanabinoide, diversos laboratórios investiram na produção de drogas agonistas dos receptores CB1, simulando no organismo a ação dos fitocanabinoides (canabinoides produzidos pela planta de Cannabis) e endocanabinoides (produzidos pelo organismo humano e de quase todos os animais). Tais substâncias despertaram o interesse de pessoas que começaram a vender, muitas vezes aplicadas sobre uma porção de erva, que podem ser fumadas da mesma forma que maconha, mas com efeito muito mais intenso. É relatada também a presença de canabinoides sintéticos em incensos aromáticos.

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Apesar de algumas dessas substâncias sintéticas serem parecidas com os fitocanabinoides, destaco que elas não são encontradas em plantas de Cannabis, por isso, apesar do efeito ser de alguma forma semelhante, a planta não tem nada a ver com essas substâncias sintéticas. Diferente da Cannabis, que nunca registrou nenhuma morte relacionada ao seu uso, nos Estados Unidos e Europa são registradas centenas de hospitalizações e em alguns casos a morte dos usuários.

Figura 1: Estrutura do principal fitocanabinoide psicoativo (THC) e quatro estruturas de canabinoides sintéticos (HU-210, CP 47.497, JWH-250, JWH-018)

A força de ligação da substância com o receptor pode ser estimada pela constante de afinidade (Ki), sendo que quanto mais baixo esse valor, maior será a afinidade da substância. Quando comparado ao THC (Ki= 10,2nM), o canabinoide sintético HU-210 (Ki= 0,06nM) apresenta afinidade 100 vezes maior. Já foram identificadas centenas de substâncias dessa classe, e a ciência ainda busca por mais informações sobre os possíveis danos e efeitos colaterais causados por essas substâncias. Há estudos que indicam que além de se ligarem mais fortemente aos receptores, as drogas sintéticas podem permanecer por maiores períodos de tempo no organismo. Dessa forma há elevado potencial para provocar overdose. No mercado ilegal o interesse pode ser exclusivamente financeiro e esses efeitos podem ser simplesmente negligenciados.

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Assimilar que a Cannabis é igual a essas drogas sintéticas pode ser um erro, provavelmente proveniente do discurso daqueles que buscam nas menores brechas argumentos para lutar contra a legalização da Maconha. A Polícia Federal já registrou há anos apreensões de canabinoides sintéticos, que entram no país para atender a um público ávido por novas experiências. Sem fazer juízo de valor, não acho prudente trocar uma erva natural, segura e medicinal, por uma droga recém chegada que não sabemos ao certo quais serão seus efeitos a curto e longo prazo. Àqueles que optarem por fazer uso, que façam com informação e consciência, ponderando se os custos não são altos demais para o benefício desejado.

Se você tem curiosidade e dúvidas sobre a ciência da Cannabis, contate-nos e a sua dúvida pode ser esclarecida aqui, nos dias 4 e 20 de cada mês, na nossa coluna #QuimiCannabis.

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