O Advogado da Marcha da Maconha, Dr André Barros, ressalta a importância do maconheiro resistir, as implicações impostas pelo sistema e antecipadamente já convoca a todos para engrossar as Marchas de 2015, lutando pela legalização da erva para todos os fins, principalmente pela nossa liberdade de produzir e consumir a maconha no Brasil, pois nossa terra planta liberdade!

Durante anos consecutivos, promovemos Marchas da Maconha por todo Brasil. Tivemos os maiores embates em mais de dez cidades, onde os eventos eram proibidos com ações inominadas impetradas às vésperas pelo Ministério Público e liminares concedidas pelos plantões judiciais na madruga dos sábados.

Protocolamos duas representações que fizeram a Procuradoria Geral da República mover a Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF – 187 e a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI – 4274. As representações e ações foram, respectivamente, protocoladas e impetradas em 2009. Por dois anos, ambas ficaram paradas. Entretanto, em 2011, quinze dias depois da brutal repressão realizada pela polícia militar de São Paulo, a ADPF -187 foi colocada em pauta e ganhamos de 9 X 0.

Já vínhamos debatendo no movimento há muito tempo que a maconha medicinal abriria portas para a nossa causa. Plantadores corriam sérios riscos para provar a eficiência da cannabis em diversas doenças. Diante da eficiência da planta para convulsões de crianças que não alcançavam bons resultados com a farmacologia convencional, mães começaram a enfrentar todos os tipos de riscos para que seus filhos usassem a maconha de várias formas. E foram à luta. Compareceram à Marcha da Maconha de 2014, fizeram seus próprios eventos, conseguiram matéria no Fantástico da rede globo e ainda projetaram o sensacional filme “ILEGAL” em diversas salas de cinema por todo o país.

Tudo isso aconteceu num grande movimento coletivo que se fortaleceu nas redes sociais. Diante de tamanha pressão, vimos a aceitação da mídia para o canabidiol – CBD, um dos oitenta canabinóides existentes na maconha. Depois de todas essas lutas, agora vem o biopoder, com supostas tecnologias, querer controlar nossas vidas e tolher nossa liberdade.

O Brasil é um país de terras férteis, com muito sol e água, propício para a produção da maconha. Não podemos aceitar que vire importador de tecnologia farmacêutica de apenas um elemento da maconha, quando podemos e sabemos produzir muito mais. Se um remédio importado pode custar mil reais, qual é a lógica de proibir sua produção gratuita e caseira de pequena quantidade para uso medicinal, em nosso rico país de pessoas tão pobres?

A planta é comum e não podemos aceitar sua apropriação pela tecnologia da indústria farmacêutica. Não podemos concordar jamais com a apropriação de nossos conhecimentos alcançados coletivamente. Se o CBD começa a ser aceito, é fruto das nossas lutas pela legalização da maconha. Isso não pode ser apropriado pelo mercado. O fato do Conselho Federal de Medicina inserir expressamente em sua resolução a proibição do plantio para fins medicinais é, no mínimo, muito estranho.

Da mesma forma que o biopoder busca controlar e se apropriar das nossas vidas com o lobby da indústria farmacêutica, devemos resistir coletivamente à continuidade da proibição da produção da planta e da criminalização da maconha, que é nossa e comum. Vamos engrossar a Marcha da Maconha de 2015 para todos os fins, principalmente pela nossa liberdade de produzir e consumir a maconha no Brasil, pois nossa terra planta liberdade!

Foto de Capa: Mídia Ninja