“Esse ano a primavera chegou mais cedo e o absoluto sucesso da Marcha da Maconha de São Paulo mostra que a informação é mais forte que qualquer proibicionismo proveniente da desinformação. Que a sociedade pode sim ser transformada quando as ruas são o centro da política. As flores, enfim, dão provas que podem mesmo vencer o canhão.”

Por Andrew Costa*

A Marcha da Maconha colocou pelo menos 10 mil pessoas nas ruas de São Paulo e como a mídia noticia mas não informa, a temporada de abobrinhas proibicionistas na internet está aberta.

Bando de vagabundo! Tanta coisa mais importante para reivindicar! Marchar pela educação ninguém quer! Se legalizar, amanhã tá todo mundo fumando! É a porta de entrada para drogas mais pesadas! Mata neurônio! – afirmam diplomados senhores e respeitosas madames que não abrem mão de sua merecida cervejinha, do Prozac, nem do Lexotan.

Muito embora a guerra às drogas esteja matando jovens pobres como Amarildo e DG todos os dias e a massa carcerária do Brasil já seja a 2ª maior do mundo (depois que essa tipificação penal cresceu quase 300% só na última década – dados do Ministério da Justiça) a desinformação ainda dá um show de horrores “nas ruas e nas redes”. As pérolas são muitas e temos que entender que o contexto de décadas de proibição são determinantes para essa desinformação generalizada.

Felizmente, como diz o jornalista uruguaio Eduardo Galeano, não há escola que não encontre sua contra-escola. A juventude antiproibicionista que carrega em suas fileiras médicos, advogados, juízes, jornalistas, psicólogos, professores e até mesmo delegados, aos poucos está derrubando essa cortina de fumaça da desinformação e o amanhã antiproibicionista está sendo cada vez maior.

Em meio à uma crise generalizada de segurança pública no Brasil, onde o Rio de Janeiro talvez seja o principal expoente com a muito simbólica ocupação do exército no Complexo da Maré, esse ano a Marcha da Maconha deverá sair em mais de 50 cidades do país pelo fim da guerra às drogas. Sintomático.

Essa mesma juventude que em junho do ano passado apresentou nas ruas a tarifa zero como resposta à crise de mobilidade urbana agora apresenta a legalização e regulamentação das drogas como alternativa à crise de segurança pública. Se a sociedade e autoridades vão entender o recado? Talvez.

Uma coisa, entretanto, é certa. Esse ano a primavera chegou mais cedo e o absoluto sucesso da Marcha da Maconha de São Paulo mostra que a informação é mais forte que qualquer proibicionismo proveniente da desinformação. Que a sociedade pode sim ser transformada quando as ruas são o centro da política.

As flores, enfim, dão provas que podem mesmo vencer o canhão.

*Andrew Costa constrói o coletivo antiproibicionista Cultura Verde, a Marcha da Maconha Niterói, a Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos e o Movimento RUA.

Foto de Capa: Mídia Ninja