Em cima da recente notícia, sobre o comandante que esteve à frente dos batalhões de elite na Polícia Militar do Rio e foi exonerado, Dr. André Barros, advogado da Marcha da Maconha, aborda como o pensamento nazista, combinado com nossas raízes escravocratas e a ditadura militar, é uma bomba contra negros e pobres. É essa combinação que vai explicar a polícia que mais mata no mundo jovens, negros e pobres. E explicar o porquê dos policiais mortos também serem jovens, negros e pobres.

Segundo jornais e revistas, o comandante do batalhão de choque da polícia militar foi exonerado, porque teria trocado mensagens de cunho nazista num grupo de policiais por WhatsApp.

[pull_quote_left]A caveira precisa sair imediatamente das viaturas e fardas policiais…[/pull_quote_left]Mas o que realmente preocupa é a formação da própria corporação. Embora não seja uma cruz suástica, a caveira estampada nos uniformes e viaturas da polícia carioca é um símbolo da morte, subjetivamente também, um símbolo nazista. O pensamento lombrosiano, baseado na superioridade de uma raça, de que determinadas pessoas já nasciam criminosas, por serem oriundas de raças inferiores, desencadeou o nazismo e a morte de milhões de pessoas na segunda guerra mundial. Esse tipo de pensamento está estampado nos símbolos da polícia militar do Rio de Janeiro.

Isto é assustador, porque a guerra é ligada a inimigos externos. As forças armadas é que são preparadas para as guerras. Como o Brasil não tem inimigos externos, a guerra é contra os inimigos internos. Mas o papel da segurança pública interna é dever do Estado e é exercida através das polícias. Daí a temeridade de transformar a polícia em militar. A preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas são atribuições policiais. Que não fazem parte de guerra interna alguma. Mas quando o papel da polícia é confundido com a guerra, toda a população está em perigo, pois daí o inimigo somos todos nós. A inversão e a confusão do papel da polícia são desastrosas.

A ilegalidade de determinadas drogas tornadas ilícitas alimenta toda essa farsa. Milhares de toneladas de maconha e cocaína são transportadas por aviões, helicópteros, caminhões de carga, navios e geram bilhões de dólares. O mercado de armas é sócio do mercado das drogas ilícitas. Assim, o rico mercado quer ver os pobres trocando tiros e comprando armas vendidas com as drogas. Como os ricos, que são o próprio poder, querem continuar seguros no meio da miséria, as polícias pública e privada são armadas até os dentes contra o inimigo interno que é o pobre. A guerra às drogas na realidade é a guerra aos pobres. A função da polícia no Rio de Janeiro, no fundo, é manter a cidade maravilhosa para poucos e sem sequer saneamento básico para muitos. Das mais de mil favelas da cidade, nas poucas onde foram instaladas Unidades de Polícia Pacificadora, o saneamento básico nem chegou. O pensamento nazista, combinado com nossas raízes escravocratas e a ditadura militar, é uma bomba contra negros e pobres. É essa combinação que vai explicar a polícia que mais mata no mundo jovens, negros e pobres. E explicar o porquê dos policiais mortos também serem jovens, negros e pobres. Eles é que são destacados para essa função por seus comandantes, sem qualquer trabalho policial de investigação, com o discurso de combate aos estereotipados traficantes de short e chinelo.

[pull_quote_center]Embora não seja uma cruz suástica, a caveira estampada nos uniformes e viaturas da polícia carioca é um símbolo da morte, subjetivamente também, um símbolo nazista.[/pull_quote_center]

A caveira precisa sair imediatamente das viaturas e fardas policiais e o processo de legalização das drogas tornadas ilícitas deve ser acelerado, pois toda essa farsa precisa cair.