Apesar de estar em alta na Bolsa de Valores do país e agitar o mercado alimentício, a maconha ainda não conquistou as grandes companhias nos Estados Unidos. Os especialistas culpam o pouco tempo de legalização, número de Estados que acabaram com proibicionismos e o “futuro nebuloso” da erva no país. As informações são do New York Times, via Folha de S.Paulo.

Com a legalização em alguns lugares, a indústria da maconha promove uma espécie de corrida do ouro adaptada aos dias de hoje nos Estados Unidos.

Troy Dayton, cofundador do ArcView Group, uma rede de mais de 300 investidores que apoia negócios relacionados ao produto, diz que mais de 30 companhias em estágio inicial o contatam todas as semanas. No ano passado, ele diz, o grupo investiu US$ 12 milhões (R$ 27,4 milhões) em 14 companhias.

O mercado é dominado por pequenos negócios, diz Dayton, porque é muito novo e também porque a legalidade da maconha ainda é nebulosa. Bancos, por exemplo, têm sido relutantes em aceitar depósitos do setor ou fazer empréstimos porque a droga é ilegal pela legislação federal.

“Você não pode ter um negócio nacional”, afirma ele, em razão de as normas variarem entre os Estados. Oportunidades para novos negócios também existem porque o estigma associado à indústria desestimula empresas maiores a se envolverem.

DESAFIO E SOLUÇÃO

Com mais Estados legalizando o produto para aplicações médicas e, no Colorado e em Washington, para uso recreativo, Garett Fortune identificou um dos desafios da indústria: empacotamento. Os antigos sacos de plástico não eram efetivos, especialmente para um mercado sujeito a regulação.

Fortune já tinha a OdorNo, uma companhia que faz embalagens à prova de odor para dejetos humanos e animais. Então ele propôs um novo produto, um invólucro resistente a cheiros e à abertura por crianças.

Em maio, ele começou a desenvolver o FunkSac. Apesar de o produto aguardar aprovação do governo, ele recebeu centenas de milhares de pedidos de cultivadores, varejistas e atacadistas.

A companhia espera começar a entregar o FunkSac neste mês e estima faturar US$ 2 milhões no primeiro ano.

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FunkSac. Apesar de o produto aguardar aprovação do governo, ele recebeu centenas de milhares de pedidos de cultivadores, varejistas e atacadistas.

VENDA HI-TECH

Muitas estão associando tecnologia ao produto. A Potbotics, de Nova York, levantou quase US$ 3 milhões de amigos e familiares e está trabalhando em três produtos, incluindo um “atendente virtual” chamado Potbot para a venda de maconha.

O plano é colocar robôs em locais de venda e clínicas que oferecem a mercadoria e permitir que pacientes façam perguntas sobre o tema e obtenham informação.

“As pessoas que vendem maconha quase sempre têm um objetivo: vender o que eles mais têm no estoque”, diz David Goldstein, fundador da companhia.

“Nós criamos um software e uma plataforma tecnológica que é capaz de conversar com os pacientes e educá-los a respeito de quais variantes são melhores para cada problema”, completa.

Conseguir financiamento é difícil para essas companhias. Investidores tradicionais estão desconfiados, diz Christian Groh, sócio da Privateer Holdings, empresa que faz aportes nesses negócios.

“Eu sei que há muita exuberância agora, mas não acho que estamos no ponto de ver dinheiro institucional real ou uma companhia da Fortune 500 [as maiores do país] entrando nesse espaço”, não ainda”, afirma.