Legalizar o autocultivo e os clubes privados de maconha são as principais iniciativas que o governo do México estuda para incluir em um projeto para regular o consumo do psicotrópico, a fim de acabar com a perseguição aos pequenos consumidores da planta. A proposta é do deputado esquerdista do Partido da Revolução Democrática (PRD), Vidal Llerenas e vem causando controvérsias.

A ideia para uma nova regularização do uso da maconha parte do fato de que dois de cada três consumidores são presos ou extorquidos pelas autoridades da capital, segundo uma pesquisa de 2011 feita pelo coletivo por uma Política Integral contra as Drogas (Cupihd). A proposta do PRD é mudar a prioridade em relação às detenções, o que Vidal Llerenas chama de “despenalização efetiva”.

O projeto de lei vem causando atitudes variadas em alguns estados do país e de especialistas no assunto. O estado de Campeche, por exemplo, há três anos tentou aumentar o nível das doses de metanfetaminas que são despenalizadas, porém a Corte Suprema rejeitou o pedido, alegando que o governo do local não poderia mudar as quantidades quando quisesse. Também há aqueles que apoiam a permissão do autocultivo de até três plantas por pessoa, enquanto outros acreditam que é melhor um sistema de clubes privados sem fins lucrativos.

O apoio à legalização da maconha também cresce entre as figuras públicas, entre elas o ex-presidente Vicente Fox (2000-2006) e alguns ex-ministros. Por outro lado, organizações fazem ressalvas sobre o tema. O presidente da Federação Mundial de Luta Contra as Drogas, Sven Carlsson, ressalta que embora o México apresente os níveis de consumo mais baixos (1,4%), é ilusão pensar que com a legalização a delinquência acabará com suas atividades ilícitas. “Em todo caso um mercado negro se manteria já que seus preços seriam menores”, observou.

A proposta da esquerda deve ser concretizada após o Fórum sobre Políticas Públicas em Matéria de Drogas, que encerrou ontem (4). Na conclusão do evento foi pensada a criação de uma agenda legislativa em política de drogas e que estude uma regulamentação alternativa para o uso da maconha, com foco na prevenção. No evento estiveram presentes especialistas internacionais e representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), que foram convidados para moldar a iniciativa do PRD, que deve estar pronta no final de setembro.

Por Emilly Souza
Via: Adital