Uma comunidade salvadorenha está clamando alto pela reforma da política de drogas: a Igreja Evangélica Protestante de El Salvador. O principal porta-voz da igreja  declara que a comunidade está convencida de que a regulamentação das drogas beneficiaria todas as partes da sociedade e já foi demonstrado que é um instrumento útil para reduzir a violência e a criminalidade de maneira surpreendente. As informações são do BrasilPost.

Por Martin Diaz*

El Salvador: um país tropical, cheio de lindas praias, coqueiros e borboletas.
Mas também faz parte do triângulo setentrional da América Central. É o menor país do continente americano e o segundo mais violento. Nos últimos dias (semanas, meses, anos), El Salvador mergulhou em uma onda de assassinatos e homicídios. A vida cotidiana é marcada pela pobreza, por assaltos, abusos, crimes hediondos, extorsão, falta de perspectivas e o sangue de irmãos matando os próprios irmãos por dinheiro, tecnologia, drogas ou informação.

No meio de tanta escuridão, certas comunidades, artistas e grupos da sociedade civil cristã trabalham para superar essa violência doméstica, social e estatal, que agride os direitos humanos e as liberdades civis. Alguns organizam campanhas de conscientização, orações ou intervenção direta. Uma comunidade está clamando mais alto pela reforma da política de drogas: a Igreja Evangélica Protestante de El Salvador (Iepes). Como principal porta-voz de nossa igreja, quero declarar que nossa comunidade está convencida de que a regulamentação legal das drogas beneficiaria todas as partes da sociedade salvadorenha e já foi demonstrado que é um instrumento útil para reduzir a violência e a criminalidade de maneira surpreendente.

Na Iepes, acreditamos na redução de danos e riscos. Falamos por muitas pessoas que esperam produzir seu próprio remédio, poder usar e plantar cannabis sem ser criminalizadas, assim como pelas pessoas que usam drogas de modo problemático e precisam de tratamento eficaz e humano, baseado em evidências, amor e respeito. Também representamos aqueles que não usam drogas ilícitas mas apoiam a pesquisa de alternativas para maior justiça social e bem-estar social.

10258676_461263980643654_5626295515627684077_nEm 3 de maio, El Salvador realizou sua primeira Marcha para uma Nova Política de Drogas, da qual participaram jovens, grupos da sociedade civil e autoridades públicas que acreditam que está na hora de deixar para trás a guerra às drogas. Organizações internacionais de políticas para drogas, como a Aliança de Políticas para Drogas e o Consórcio Internacional de Políticas para Drogas, assim como a Fundação para o Estudo e a Aplicação do Direito e o Movimento Novo País, de El Salvador, entre outras, apoiaram a marcha. É um dia em que as pessoas de muitos países do mundo comemoram a Marcha Global da Maconha. Em El Salvador, comemoramos com um apelo unido pela paz.

A América Latina teve o maior número de mortes na guerra às drogas. Por esse motivo, é a América Latina que lidera a discussão sobre a reforma da política de drogas, porque não podemos mais deixar nossa saúde, nossa segurança e nossos direitos nas mãos de criminosos. Devemos sair desse caminho de políticas antidrogas violentas e antiquadas e reconhecer que podemos aprender com novas experiências.

Neste pequeno canto do mundo, a reforma da política de drogas significa uma semente de esperança, porque por meio da regulamentação haverá novas oportunidades de desenvolver e aplicar estratégias para reduzir a violência, os riscos e os danos da proibição à droga. Como seguidores de Jesus de Nazaré, somos dedicados a amar ao próximo, e isso implica aceitarmos e respeitarmos uns aos outros, mesmo que nossos desejos sejam diferentes. Também significa sustentar, orientar e acompanhar os que estão em um momento difícil de suas vidas.

Enviamos orações e bons votos de El Salvador.

*Martin Diaz é Reverendo na Igreja Evangélica Protestante de El Salvador

  • Cadê a ‘psicologa’ cristã?! #MarisaCadêVocê