O movimento antiproibicionista no Brasil vem pautando a bastante tempo a legalização imediata da maconha como forma de reduzir os danos nefastos do proibicionismo e da falta de controle da comercialização e consumo da droga no país. Acreditamos que a atual legislação que proíbe o consumo e a comercialização da maconha apenas serve para criminalizar os varejistas mais pobres desse mercado ainda considerado ilegal pela ANVISA e pela atual lei de drogas no Brasil. Sabemos que para além do uso recreativo temos outros diversos outros usos de cannabis, os EUA é um exemplo de como a maconha pode ser usada pela medicina e pela saúde pública para enfrentar graves doenças na logica da redução de danos. Com a planta cannabis podemos fazer tecido , papel, óleos, combustível e até produtos alimentícios e industriais, ou seja uma planta que poderia ser explorada e estudada de maneira multifatorial por cooperativas ou pequenos grupos de agricultores no Brasil.

A recente aprovação da legalização da maconha no Uruguai é um indicativo interessante para os movimentos sociais latino-americanos que passam a formular novas alternativas para o processo de legalização e regulamentação da maconha. No caso o uruguaio o Estado deve produzir e comercializar a cannabis , no entanto esta em aberto a discussão sobre as cooperativas de plantio.

É justamente através das cooperativas e na mediação entre estado e mercado que podemos abrir um novo flanco de disputa para a legalização da maconha no Brasil, pautando que a legalização da maconha também passe pelos movimentos sociais do campo que possuem terras , meios técnicos e vasta inserção e experiência sobre modelos sustentáveis de agricultura familiar e agroecologia.

Temos a clareza que a disputa sobre essa concepção de legalização através dos movimentos campesinos não será fácil , sabemos que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra historicamente sempre foi um movimento social muito criminalizado no Brasil principalmente pela mídia e pelos setores mais conservadores da sociedade brasileira. No entanto é urgente fazermos essa discussão , o Coletivo Cultura Verde defende um modelo de legalização da maconha por fora dos marcos do mercado neoliberal, não defendemos o monopólio da Monsanto e das grandes indústrias do tabaco que que já estão se preparando para os grandes lobbies e contratos milionários com os governos para terem o monopólio da venda da maconha.

Além da defesa incondicional que temos feito por uma outra politica de drogas, menos repressiva e mais humana, somos solidários e lutamos em outros campos de luta, somos a favor da reforma agraria de maneira ampla e irrestrita nesse pais, lutamos junto com o MST e os movimentos pela terra durante a cúpula dos povos e temos do ponto de vista tático o MST como grande aliado na disputa por outro modelo de sociedade no Brasil.

Nesse sentido e seguindo as deliberações do I Encontro Estadual Antiproibicionista RJ convidamos o MST e os demais movimentos do campo para a discussão dessa pauta importante para o futuro do país.

A nossa Vitória não será por acidente!


Via Cultura Verde | Coletivo Antiproibicionista e Antimanicomial