Presidente uruguaio não pretende responder a críticas de que nova lei viola pactos internacionais sobre drogas

 

O presidente do Uruguai, José Mujica, pretende defender pessoalmente sua política em relação às drogas diante da Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Nova York. A informação foi revelada ontem pelo jornal uruguaio La República, dois dias depois de a Câmara de Deputados do país ter aprovado a legalização da maconha em seu território.

Mujica viajará para Nova York acompanhado de seu chanceler, Luis Almagro, e do presidente da Junta Nacional de Drogas, Diego Cánepa. Em seu discurso, o chefe de Estado uruguaio deverá expor os fundamentos da legislação que regulamenta o consumo e a produção de cannabis no Uruguai, “defendendo os conceitos da nova política sobre entorpecentes que vem levando adiante”, afirmou o jornal.

De acordo com o diário, porém, Mujica não responderá às críticas dos que o acusam de violar tratados internacionais sobre drogas. A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), organismo das Nações Unidas que monitora o cumprimento dos acordos internacionais sobre o tema, afirma que a política do presidente do Uruguai contraria pactos dos quais o país é signatário.

Ao La República, o funcionário que representa Mujica no organismo uruguaio de drogas respondeu que essas observações “não vêm da ONU” diretamente, mas apenas do órgão de fiscalização da entidade internacional.

O deputado uruguaio Julio Bango, governista e um dos principais articuladores do projeto de lei que legaliza a maconha no país, afirmou que o texto foi encaminhado ontem ao Senado – onde a Frente Ampla, de Mujica, detém 16 dos 30 assentos. Segundo Bango, a previsão é que os senadores votem a nova legislação até outubro.

O parlamentar afirmou que os deputados da coalizão do presidente que participaram da elaboração do projeto se reunirão, em breve, com os senadores governistas para deixá-los informados sobre os detalhes da nova legislação. De acordo com a nova lei, os uruguaios ou estrangeiros residentes no país poderão comprar até 40 gramas de maconha por mês.

Fonte: Estadão