Após recente crítica ao Uruguai e aos EUA sobre a regulamentação da maconha, Mujica e seu governo desprezam as advertências da ONU. As informações são da EFE / Uol

“A ONU, que é tão velha, está puxando a nossa orelha. E vamos dar tanta bola para isso como dão as grandes potências quando tomam suas decisões” – Mujica

Convenção de 1961 sobre drogas – adotada por 186 países, incluído Uruguai – só contempla uso do cannabis para fins médicos e científicos

O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou nesta quarta-feira que seu governo despreza as advertências da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) que questiona em seu último relatório anual a legalização da produção e venda de maconha aprovada no país.

“A ONU, que é tão velha, está puxando a nossa orelha. E vamos dar tanta bola para isso como dão as grandes potências quando tomam suas decisões”, afirmou Mujica, em alusão a sua política sobre a maconha.

“Vamos ganhar esse jogo. Vamos mostrar qual é o caminho das reformas”, acrescentou.

O presidente do Uruguai fez estas declarações após receber um prêmio da Associação Latino-Americana para os Direitos Humanos (Aldhu), entregue em reconhecimento às “reformas substanciais” empreendidas durante seu governo, entre elas a regulação da maconha.

“Somos um país pequeno e eles se assustam. Mas me assusta mais que levemos 100 anos reprimindo e ficarmos pior, multiplicando a riqueza que vai parar na mão dos grandes, enquanto os povos e a juventude se desfazem”, expressou o líder.

A Jife assinalou na segunda-feira, na apresentação de seu relatório anual, que a lei uruguaia que regula a produção, venda e consumo de maconha viola os tratados internacionais sobre drogas e “marca uma tendência perigosa”.

A Convenção de 1961 sobre drogas – adotada por 186 países, incluído Uruguai – só contempla o uso do cannabis para fins médicos e científicos, segundo repetiu a Jife, por isso que qualquer uso recreativo, como o que prevê a lei uruguaia, sai do estipulado.

Apesar da dureza do relatório, o presidente do organismo, Raymond Yans, mostrou sua disposição para renovar a “estreita cooperação” com o Uruguai para abordar sua lei de legalização do cannabis, respeito à qual agora mantêm um “diálogo difícil”, reconheceu.

A Jife se apresenta como um órgão independente, formado por 13 membros, com a incumbência de vigiar e promover a aplicação dos tratados das Nações Unidas sobre fiscalização de drogas.

O Uruguai legalizou a compra e venda e cultivo da maconha em 10 de dezembro do ano passado, com a aprovação no Senado do projeto legislativo, que, atualmente, se encontra em fase de regulamentação.