Calma é isso mesmo, não bolamos do lado errado [viramos a casaca], mas o portal Yahoo! está promovendo uma enquete e, em cima da mesma, uma série de debates com lados favoráveis e contrários ao tema da legalização da maconha, como o Deputado Osmar Terra e seu infame Projeto de Lei nº 7.663 de 2010, nós da SmokeBud, não poderíamos nos ausentar do tema e pedimos a todos os nossos leitores que acompanhem o debate e votem na enquete do  “Yahoo Debates“.

Confira o texto “Não à Liberação das Drogas”, por Osmar Terra*

Os adeptos da liberação das drogas as consideram como uma recreação, e que depende do livre arbítrio de cada um, tanto usá-las quanto parar de usar. Portanto, ninguém deve restringir esse direito. Eles ignoram que todas as drogas, lícitas e ilícitas – do cigarro ao crack – passando pelo álcool, maconha, cocaína, heroína, etc., causam dependência química num percentual elevado de usuários. A dependência química é uma doença crônica, até agora incurável. Ela é fruto de uma estimulação continuada do sistema de recompensa cerebral, que é onde se estrutura a sensação de prazer e a motivação do ser humano.

O estímulo da droga forma uma nova rede de conexões entre neurônios específicos, estabelecendo uma poderosa memória de longo prazo, da sensação inicial causada pela droga. Pelo resto de suas vidas os dependentes terão que fazer um enorme esforço para manter-se em abstinência. A cada momento de maior ansiedade, a memória criada pela droga é evocada e pode provocar a recaída. E as recaídas, infelizmente, são muito frequentes. Eles terão dificuldade de trabalhar, estudar e de exercer suas responsabilidades sociais e familiares. A doença da dependência das drogas não atinge só quem as usa, já que as famílias são devastadas junto! Quem tem algum familiar dependente entende melhor a gravidade do que afirmo!

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Perto de 25% da população possui algum transtorno mental, além da dependência em variados graus, que interferem na capacidade de controlar impulsos. Portanto, é um grupo enorme de pessoas mais vulneráveis ao vício. Quando exposto às drogas, esse grupo tem uma probabilidade maior de fazer uso compulsivo, e tornar-se dependente, do que o grupo dos não portadores desses tipos de transtornos.

Portadores do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), por exemplo, são 5,6% da população e tem oito vezes mais chances de ficar dependentes de drogas, que os não portadores. O mesmo vale para o Transtorno Bipolar, de Conduta, Depressão, etc. As pesquisas mostram que a maioria dos dependentes de drogas são previamente vítimas desses transtornos. Portanto, basta aumentar a oferta que se multiplicará enormemente o número de doentes crônicos na população!

Hoje, 50 milhões de brasileiros são dependentes químicos, somados, do álcool e tabaco. Isso porque são drogas lícitas e de fácil acesso. Sendo que, 6 milhões de brasileiros são dependentes de drogas ilícitas, justamente por serem ilícitas. Se legalizadas, rapidamente atingiriam os patamares do álcool e tabaco. Imaginem a tragédia! Em defesa da saúde da nossa população, temos que aumentar as restrições ao álcool e tabaco, e não permitir a legalização das drogas ilícitas. Temos que reduzir a oferta das drogas e não o contrário.

O movimento pró-drogas argumenta que a sua proibição fracassou e só gera violência. “Daí teremos que liberar para regular o mercado, etc..etc!” Discordo. O fato de se prender estelionatários e pedófilos não impede que continue havendo estelionato e pedofilia, por exemplo. Mas, haveria muito mais desses delitos se não fossem proibidos! As leis e as proibições não previnem todos os crimes, mas diminuem sua incidência, e o número de suas vítimas. Os países que jogaram duro contra as drogas foram os que mais reduziram o número de dependentes e a violência. É assim da China à Cuba, dos EUA à Suécia.

A bem da verdade não existem “políticas inovadoras” em relação às drogas. A liberação já aconteceu no passado em alguns países, como a China e a Suécia, e o resultado foi tão trágico que eles voltaram atrás e hoje as combatem com muito mais rigor. Aliás, todos os 198 países membros da ONU proíbem a fabricação e venda das drogas consideradas ilícitas também no Brasil. Foi a experiência de sofrimento das sociedades que ensinou isso aos governos de todo o mundo!

Por tudo isso, antevemos que a liberação da maconha no Uruguai trará graves problemas sociais e de saúde, principalmente para sua população mais jovem, como também acabará trazendo uma oferta maior de drogas ao tráfico no Brasil, seja maconha, seja crack e cocaína.

A maconha também causa grandes danos físicos e mentais. Pneumologistas britânicos divulgaram informe especial, comprovando que seu uso leva a risco muito maior de complicações pulmonares e câncer do que o tabaco (The impact of cannabis on Your Lungs-British Lung Foundation – 2012). Se considerarmos ainda que ela desencadeia outros transtornos mentais, como a esquizofrenia, está associada ao crack e cocaína em milhões de usuários brasileiros (UNIFESP), e está mais presente que o álcool em acidentes fatais (Pechansky e cols – 2010), compreenderemos melhor o seu risco!

*Osmar Terra, deputado federal (PMDB-RS), autor do Projeto de Lei nº 7.663 de 2010, que cria cadastro de usuários de drogas.

Via, Yahoo!