Manual de instruções da associação para quem não sabe bolar anônimo;
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– Faz um beque pra gente.
Toda vez que esse pedido era feito sentia um calafrio subir as espinhas. As mãos suavam e a boca secava. Durante dezesseis anos sempre invetou inúmeros desculpas para não ser o bolador da vez. As vezes dizia que tinha o direito de não enrolar o baseado porque levado a massa. Por outras afirmava que ninguém ia gostar de fumar num pastel. Em raras vezes falava a verdade.

– Eu não sei acochar um beque.
– Como assim?
– Não sei, porra.
– Mas você fuma maconha desde a adolescência.
– E daí? Fumar é mais fácil do que fazer.

E sempre foi. Da primeira fez o baseado já chegou prontinho. Na praia, depois da aula, com o sol na cara. O primeiro fininho nunca se esquece. Da mesma forma que nunca tirou da memória toda a destreza da amiga que fez aquele beque.

Dechavou rápido com os próprios dedos, deixando as unhas pintadas de vermelho sujas. Tirou a seda com uma única mão e com a outra despejou o mato. Ele se distraiu e quando voltou a atenção para ele o baseado estava pronto. Apertadíssimo, fechado e sem piteira.

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Depois daquela primeira tragada pegou gosto pela erva, mas nunca a habilidade de colocar o conteúdo dentro do papel, girar entre os dedos, passar a língua e começar a fumar.

Usuário assíduo não fazer o próprio beque lhe causavam alguns transtornos. Quem sempre o salvava era o porteiro do prédio. Em troca de 20 baseados bolados, ele deixava sempre 20% da paranga que comprava. Se sentia extorquido, mas também existem maconheiros capitalistas e negócios são business.

Apelou para a maquininha da OCB que prometia ser a coisa mais simples do mundo na hora de fazer um cigarrinho fininho e justo. Era só botar o mato deschavado entre as roldanas, colocar a seda no meio deles, girar as roldanas para lados opostos e voilá, estaria pronto o mais apertados dos baseados do mundo. Naquele videozinho parecia simples, mas, na prática, nunca deu muito certo. Caia mais maconha em cima da mesa do que dentro da seda e os cigarros nunca fecharam direito.

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Como fazer manualmente, da forma tradicional, era algo fora de cogitação, passou a fazer coleção de bongs, pipes, e produtos não manufaturados que pudessem suprir o desejo de fumar unzinho de boa. Mas carregar todos esses equipamentos para fora de casa nunca era muito fácil. E caia sempre no dilema de ter que ter sempre alguém a espreita para auxiliá-lo na simples missão de dar bons tragos.

Atualmente, ele tem buscado ajuda especializada e procura fazer cursos de origami, bordado, cultivo de bonsais, pintura em tecido, corte e costura e outras cursos que exijam extrema habilidade manual. Outra coisa que ocupa a sua cabeça é a certeza de não ser a única pessoa do mundo com problemas em bolar baseados, por isso está procurando indivíduos que tenham o mesmo problema que ele para montar um grupo de auto-ajuda. O NSFBA (Não Sei Fazer Baseados Anônimos).

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