A Marcha da Maconha do Rio do Janeiro existe há anos e, nesse processo de luta, vários coletivos foram sendo construídos. A Igreja do Reino de Jah é um deles. Não se trata propriamente de uma instituição religiosa, nos moldes daquelas que existem e competem pelo mercado de fiéis, confundindo religião com política. Trata-se de um agrupamento literalmente espiritual, sem sede material, unido pela erva sagrada e pela fé de que através dela encontramos Jah, Deus.

Religiões e Igrejas foram criadas em torno da planta sagrada. Aqui mesmo, Ras Geraldinho fundou a primeira Igreja Rastafári do Brasil. Por causa disso, está preso e foi condenado a 14 anos de reclusão pelo poder punitivo do judiciário de exceção da cidade de Americana, São Paulo.

A Igreja do Reino de Jah promove, há alguns anos, a Ceia dos Excluídos no Natal. O querido Mandacaru foi reconhecido o nosso líder religioso e já é chamado de Sacerdote Mandaca. Com sua liderança, anualmente, consegue reunir muitos coletivos da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro e faz da ceia um grande congraçamento de toda irmandade, que luta há tempos pela legalização da maconha no Brasil para todos os fins possíveis e imaginários.

No último dia 23 deste ano, ocupamos uma marquise de um prédio na avenida Presidente Vargas, bem perto da Candelária, para distribuir roupas e alimentos às pessoas em situação de rua e fazer uma grande consagração da galera da luta da maconha. Este ano, senti que todos estavam mais felizes, creio que pela maresia que chega do Uruguai. Com a Ceia dos Excluídos da Igreja do Reino de Jah, mostramos na prática um dos gritos preferidos dos maconheiros na Marcha da Maconha: “arroz, feijão, maconha e educação”.

Mas a grande mensagem que a Igreja de Jah busca transmitir à humanidade, escrava desse capitalismo apressado, agitado e agressivo, violento e da velocidade, é apenas PAZ e AMOR. Valeu galera, feliz Natal, abraço bem apertado a toda irmandade, Jah Bless.