O humorista e idealizador do Porta dos Fundos defende legalização da maconha durante entrevista para o programa TimeLine, da Rádio Gaúcha. Porchat defende também a necessidade da discussão e diz que a guerra contra o tráfico é uma briga perdida.

Fábio Porchat lança seu primeiro filme na próxima quinta-feira (30), o “Entre Abelhas”. Na agenda de divulgação do seu primeiro trabalho, Porchat foi entrevistado pela Rádio Gaúcha, na qual falou sobre o lançamento, uma década de carreira, criticou políticos e deixou clara a sua opinião a favor da legalização da maconha.

Legalização e Política 

Sobre a legalização das drogas, Porchat defende a necessidade da discussão, diz que a guerra contra o tráfico é uma briga perdida e que álcool e o cigarro podem ser muito mais nocivos.

“Eu não uso nada, mas acho que o debate tem que ser atualizado. As pessoas têm medo porque acham que todo mundo vai ficar viciado e matar gente. Eu nunca vi alguém fumar maconha e bater na mulher. Mas vejo as pessoas ficarem bêbadas, chegar em casa e bater na mulher”, opina complementando, “As drogas legalizadas como o cigarro e o álcool causam muito mais mal que a maconha, e acho que o debate tem que ser feito e se chegar numa decisão, a guerra contra as drogas deu errado, não funcionou e não está funcionando.” 

Porchat ainda opinou sobre política: “O Brasil está mais dividido entre pessoas que não aguentam mais o que está acontecendo, que querem que se dê um jeito nisso. Acho muito burro alguém defender um partido político hoje em dia. Não é possível alguém achar que o PT é certo, que o PSDB é certo… todo mundo tem caso de corrupção, todo mundo está errado, todo mundo tem problema. Temos que defender mais as pessoas do que os partidos. Os partidos já se mostraram completamente desesperadores”.

Lançamento

O filme “Entre Abelhas” estréia nesta sexta (30) nos cinemas e o próprio Porchat define o longa como uma tragédia do cotidiano, que relata o quanto as pessoas se desconectam do mundo real para mergulhar na internet, no seu smartphone e nas suas individualidades.

“(O filme) Tem humor e tem drama. Diferente de tudo que já fiz. Fala do Bruno, um cara que deixou de enxergar as pessoas. Um pouco do que nós vivemos hoje em dia. As pessoas são invisíveis, o atendente, o pedinte, um idoso… e até mesmo você, que está no restaurante, falando no telefone e quando se dá conta está em casa. Não sabe nem como foi até lá, porque está tão fechado no seu próprio mundo que as pessoas sumiram”, disse.