Assumindo o lugar de Pepe Mujica, em 1º de março, Tabaré não deve voltar atrás na legalização da maconha. As informações são da Folha de S.Paulo.

Ativistas da legalização da maconha não acreditam que Tabaré Vázquez volte atrás na medida que transformou o Uruguai no primeiro país do mundo onde o consumo, a produção e a venda da erva são regulados pelo Estado.

Desde o fim de 2013, quando a primeira lei foi aprovada, o Uruguai já definiu as regras para o plantio doméstico e também para os agricultores com fins industriais (da fibra de cânhamo).

Em fevereiro, um decreto deu largada à etapa mais polêmica: a venda, que será feita em farmácias, com produção controlada pelo governo.

A previsão inicial era que o comércio começasse no fim de 2014, mas dificuldades na fixação de controles e de segurança na colheita atrasaram o cronograma.

A primeira safra, agora prevista para julho, será plantada em um prédio cedido pelo governo em Montevidéu. Os agricultores, porém, ainda não foram escolhidos.

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Os produtores Laura Blanco (esq.) e Juan Vaz trabalham em cultivo de maconha em Montevidéu

Para Juan Vaz, um dos mais famosos militantes da causa no Uruguai e dono da Grow Shop, que vende equipamentos e produtos para cultivadores, o prazo é curto e não deverá ser cumprido.

“Apesar de Mujica ter destrancado o tema, o fato é que a ideia e a filosofia da lei já existiam. Ele foi valente em assumir o custo político, mas também foi muito inteligente em capitalizá-lo”, afirma.

Martín Collazzo, da ONG Proderechos, diz que Tabaré não é afeito ao tema, mas tampouco prevê retrocesso. “É melhor fazer do que não fazer”, afirma.

Em sua opinião, voltar atrás poderia ter um custo político relevante para o presidente. “Essa agenda de direitos foi imposta por uma geração. Retroceder é se colocar em conflito”, diz ele.

Para Mariana Pomies, da consultoria Cifra, Tabaré pode não mexer na lei, mas pode demonstrar pouco interesse em acelerar sua aplicação.

Com a maioria da população uruguaia contrária à lei, segundo pesquisas do próprio Cifra, o custo político não seria tão elevado.

“Se ele trava a lei, não vai ter oposição na opinião pública. Ainda não está claro o que ele vai fazer, mas está claro que sua mão não vai tremer se tiver que vetá-la”, disse