O governo vai anunciar em breve a lista dos cinco selecionados para produzir e vender maconha. Segundo o jornal El País, os vencedores serão três empresas uruguaias e dois estrangeiros.

Por causa do ciclo da maconha, a venda não será realizada antes do mês de abril e será atribuído a cada produtor o mínimo de um hectare para o cultivo.

Segundo o jornal El Espectador, o secretário-adjunto da presidência, Diego Canepa, disse que o governo tornará público os nomes dos cinco vencedores. A lei determina que seja concedido entre 3 e 5 licenças.

Os plantios serão realizados em um espaço fechado e cedido pelo governo, de lá sairá a maconha para ser vendida sob certas condições. As embalagens serão de 5 a 10 gramas, embaladas a vácuo para conservar as condições de umidade e inviolabilidade, e serão obrigatórios os rótulos, com as indicações do Ministério da Saúde.

“A distribuição será feita do local de produção já embalado até as farmácias”, com certas medidas de segurança que serão estabelecidas pelo Instituto de Regulação e Controle de Cannabis – IRCCA”.

Negócios

Atualmente existem 10 concorrentes tentando obter as licenças. Dos 22 que se apresentaram no primeiro chamado, em agosto de 2014, 20 passaram para a segunda fase, e 11 convocados na etapa final.

Segundo informações de uma fonte ao El País, um dos participantes “não fechou as contas” e decidiu se retirar para que fosse devolvido os US$ 5 mil que havia pago como garantia.

Pouco Rentável

“Para atender a demanda do governo, temos de fazer um grande investimento de aproximadamente US$ 1,5 milhão. No entanto, as instalações serão feitas em terras do governo. Se o projeto não funcionar, o investimento não é recuperável” questionou uma pessoa relacionado ao negócio. Outra preocupação entre os produtores é a falta de certezas. Como não existe segurança a respeito da quantidade de maconha que será vendida, não se sabe ao certo qual será a rentabilidade. Com o modelo atual, sugere-se que o investimento seja recuperado em cinco anos, “não é um negócio”.

Também está sendo avaliado recorrer a Justiça para conhecer os detalhes do chamado.

Nenhum dos participantes chamados, consultado pelo El País, foi informado sobre o andamento do concurso.

Instalações.

A terra concedida pelo governo para a produção está localizado em São José, localizada na Rota 89 perto da Rota 1. A propriedade contará com uma chamada de sistema de vigilância de 24 horas, nos 365 dias por ano. Sem água corrente, o acesso para irrigação e outros fins está previsto que seja feito através de poços artesianos.

Cada licenciado será responsável pelas instalações elétricas e os custos resultantes da sua utilização no interior da unidade. Não há previsão de tarifas diferenciadas para os produtores.

Todos os custos deverão ser assumidos pelos selecionados gerando um questionamento sobre o preço de venda fixado pelo governo. Segundo manifestado pelo Secretário-Geral do Conselho Nacional de Drogas, Julio Calzada, fixar o preço de um grama de maconha em um dólar permite que todos os atores envolvidos no cultivo e venda obtenham lucro.

Maconha Medicinal promete bons negócios

Regulamentada a maconha recreativa e a indústria do cânhamo, o único aspecto que ainda precisa ser definido na sequência da aprovação da Lei 19.172 é maconha medicinal.

Segundo indicou ao El País uma fonte relacionada com o assunto, o governo está trabalhando esta regulamentação, paralelamente com a implementação da venda de maconha em farmácias e deverá ficar pronto a qualquer momento.

Empresários uruguaios e estrangeiros manifestaram interesse na produção de maconha medicinal, que promete ser mais rentável do que a venda nas farmácias. Inclusive, aqueles que manifestaram interesse na produção da erva recreativa já querem se meter na produção do medicinal. O Secretário da Presidência, Diego Canepa, falou inclusive sobre a exportação de produtos medicinais à base de maconha.