A corrida do ouro desse crescente mercado incentivou a abertura de empresas minúscula. Mas é possível que grandes empresas queiram reinventar o caubói icônico do Marlboro no caminho da legalização da maconha.

Colorado calcula que a venda da erva chegue a US$1 bilhão este ano.

“Fresca e perfumada, não acha?” disse um rapaz de olhos brilhantes atrás de um balcão, ao levantar um vidro aberto com algo chamado “AK-47” até o nariz de Schumpeter. “Que tal esta?” disse, cheirando o conteúdo de um vidro que acabara de abrir, com os olhos fechados em profunda concentração, “Estou sentindo cheiro de aneto”.

Os traficantes de drogas mudaram de estilo. Em janeiro, o Colorado foi o primeiro estado americano a legalizar a produção, distribuição e comercialização da maconha. Agora, temos a sensação de visitar uma fábrica de cerveja chique, em vez de ir a uma espelunca de venda de maconha. Em diversos estandes do evento Green Miles 5k Celebration realizado em Denver, em 13 de setembro, jovens barbudos discutiam com ar sério as propriedades de tipos de maconha com nomes bizarros como “Bio-Jesus” e “Death Star”. Segundo eles, algumas variedades estimulavam a capacidade criativa, enquanto outras eram relaxantes.

[quote_box_right]Na Pontinha ~

Pronto, pense sem hipocrisia, isso já é um dos motivos – e dos bons, para a regulamentação da maconha no Brasil. Acreditamos que antiproibicionistas ou não todos tem interesse em erradicar a pobreza no país e a regulação pode ser parte dessa solução.

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O Colorado calcula que a venda de maconha chegue a US$1 bilhão este ano. O mercado, em sua maioria ilegal, arrecada mais de quarenta vezes essa quantia. Mas aos poucos os traficantes estão perdendo espaço para a venda de maconha para uso medicinal em quase metade dos cinquenta estados dos Estados Unidos. No início de novembro os estados de Oregon e Alasca, seguindo o exemplo do Colorado e de Washington, legalizaram a venda de maconha para consumo recreativo. Se outros países legalizarem o consumo e a venda de maconha, como o Uruguai, é possível que o mercado mundial de comercialização da maconha chegue a movimentar $100 bilhões por ano.

A corrida do ouro desse mercado promissor incentivou a abertura de empresas minúsculas em Denver, assim como em São Francisco onde desde motoristas de táxis a organizadores de casamentos encomendam maconha para os clientes. Não fumantes estão fazendo cursos de culinária com ingredientes da maconha. Aos preguiçosos resta a opção, muito agradável, aliás, de uma boa massagem com o óleo preparado com a semente de maconha.

Aos poucos, os traficantes estão perdendo espaço para a venda de maconha para uso medicinal (Reprodução/Brett Ryder)
Aos poucos, os traficantes estão perdendo espaço para a venda de maconha para uso medicinal (Reprodução/Brett Ryder)

Mas como construir um negócio tão sólido como o dos cigarros Marlboro para a comercialização da maconha? Um dos primeiros obstáculos é o controle rígido da produção e venda no Colorado, com o objetivo de impedir o acesso do mercado negro ao excesso de produção. A falta de especialização é um dos principais problemas para criar um comércio sólido e lucrativo da maconha. Algumas empresas têm uma boa técnica de cultivo, mas não de venda; outras têm um marketing eficiente, porém os produtos são de baixa qualidade. Nenhuma empresa cresceu tão rápido como deveria, apesar do foco em um só produto. Mas é possível que grandes empresas queiram reinventar o caubói icônico do Marlboro no novo projeto de legalização da maconha.