“Nem todo surfista é maconheiro, nem todo maconheiro é surfista, mas vamos combinar que as duas virtudes juntas dão a maior onda.”
Baseado nos acontecimentos recentes, Dr. André Barros, advogado da marcha da maconha, aborda a entrevista em que o maior do mundo, Gabriel Medina, teve suas palavras deturpadas em manchete apelativa contra a maconha.

Nem todo surfista é maconheiro, nem todo maconheiro é surfista, mas vamos combinar que as duas virtudes juntas dão a maior onda. Esse sistema capitalista, que adoeceu a humanidade e destrói a própria terra, não gosta do surfista maconheiro, pois seu estilo de vida nada tem a ver com a sociedade violenta, apressada e estressada onde sobrevivemos encarcerados.

Agora que temos o campeão mundial de surfe nascido, nada mais nada menos, que numa cidade chamada Maresias, o sistema começa a querer moldar o estilo de vida do melhor do mundo nas ondas. Jamais deram qualquer valor ao esporte, num país com este maravilhoso litoral. Sempre denegriram a imagem do surfista, querendo dizer que ele é vagabundo e não trabalha, daí ligando-o ao maconheiro, que sempre foi perseguido por vadiagem. O capitalismo só considera trabalho o que for para o crescimento dele, quer que trabalhemos para ele, produzindo sem parar, nessa verdadeira escravidão de horas num transporte ruim, caro e apertado, trabalhando dia e noite em funções repetitivas, mal remuneradas e enlouquecedoras. Esse sistema também tem inveja de quem gosta e sabe viver.

O surfe no Brasil foi construído pela juventude que não queria pegar em armas contra a ditadura militar, nem tampouco queria ficar batendo continência para aqueles que transformaram o país num quartel. Essa geração maravilhosa foi viver em locais distantes dos grandes centros onde acharam verdadeiros paraísos. Um deles é Maresias, onde nasceu nosso campeão. Saquarema, no Rio de Janeiro, por exemplo, era um local pequeno, de pescadores, sem a estrutura dos grandes centros, esquecido pelo Estado, e ainda com altas ondas. Era exatamente isso que os surfistas queriam, e o melhor disso tudo é que não havia polícia para esculachar a galera. Moravam em barracas ou casas simples, interagiam com os pescadores, comiam peixe e frutas da região. Faziam amor e fumavam maconha. Curtiam Rita Lee e Raul Seixas. E pegavam muita onda. O mais incrível para esse sistema capitalista triste e desumano é que tudo isso era feito e pode ser feito com pouco e até mesmo sem dinheiro.

Agora que temos o campeão mundial, de um esporte muito ligado à maconha, tanto que se diz “a maior onda” em referência a esses dois prazeres, o surfe e a maconha, vem o mercado querer se apropriar e enquadrar o ídolo, construindo um discurso falso moralista contra a erva da paz. Entrevistaram o maior do mundo e deturparam suas palavras em manchete apelativa contra a maconha. O que o campeão realmente mostrou foi muito caráter: cancelou uma verdadeira festa organizada na Praça Internacional do Surfe, dizendo que estava voltando para ajudar as vítimas da enchente que se abateu em Maresias. Ao contrário do senso comum que rotula os surfistas de alienados, o campeão mostrou muita consciência e solidariedade.

  • Denis Simioni

    A cidade de onde veio o surfista Gabriel medina não é maresias, isso é o nome de
    um dos bairros da cidade de São Sebastião!