No bojo das medidas propostas pelo governo federal ao movimento Passe Livre reside um cacareco. Apelido legislativo à norma que não tem relação com a matéria apreciada, trata-se do projeto das internações compulsórias.

O projeto é um verdadeiro insulto ao movimento formado por jovens, vítimas de um política hipócrita e repressiva, que jamais apoiariam ideia tão absurda. Qual a relação do movimento com a formação de um estado religioso, moralista, que reprime maconha, homossexuais e aborto? Nenhuma, trata-se de provocação.

Tentando responder aos clamores das ruas, o governo federal colocou em debate o importante tema da reforma política. Mas a agenda criminal, com um tópico altamente repugnante, como a internação compulsória dos usuários de drogas a partir somente da decisão de um médico, que sequer precisa de dois peritos, como em qualquer processo criminal, é uma afronta a todo este maravilhoso movimento que tomou as ruas do país.

O Projeto de Lei 7663/2010 do deputado Osmar Terra piora a lei de drogas, permite internações compulsórias e libera milhões para Igrejas Evangélicas, que se aproveitam desse discurso para prender, por exemplo, consumidores de maconha, ações estas que jamais fizeram parte da pauta do Passe Livre. Aproveitam o movimento para aumentar a repressão aos maconheiros.

Deve-se registrar que ativistas da Marcha da Maconha participaram, desde o início, do movimento pelo Passe Livre, inclusive, com o seu maior cinegrafista, o Capitão Presença.
Não vamos aturar tamanho retrocesso e, quem insistir, vai se arrepender profundamente, pois essa proposta de internação compulsória será repudiada. Vamos colocar a boca no trombone em todos os movimentos do país e isso pode dar um novo gás, pois grande parte é de maconheiros, que não aguentam mais essa hipócrita perseguição aos consumidores da erva da paz. Legalização da maconha Jah!

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha

FOTO: Arakin Monteiro – Fotografias