Com muita garra mostrando que maconheiro tem disposição, Sorocaba marchou, pela primeira vez, a favor da regulação da Maconha. O ato reuniu 50 manifestantes.

Para os manifestantes, não havia necessidade de tamanho policiamento: a PM se fez presente com nove viaturas e cinco motos da Rocam, e a GCM, com 12 equipes, entre carros e motos. As informações são do Jornal Cruzeiro do Sul

No Dia Mundial da Maconha, celebrado neste domingo, as cidades de Sorocaba e Macapá (capital do Amapá), deram início às Marchas da Maconha, a fim de que seu comércio e consumo sejam legalizados. Na cidade, cerca de 50 manifestantes se concentraram na praça Frei Baraúna, atraindo grande aparato policial, tanto por parte da Polícia Militar como da Guarda Civil Municipal. Os participantes seguiram para o Parque Campolim. O único momento de tensão, no trajeto da caminhada, envolveu um manifestante e um GCM.

Prevista para sair às 14h, a marcha em prol da legalização da erva denominada Cannabis sativa teve início às 15h, seguindo pela rua Cesário Mota e avenida Barão de Tatuí, até chegar à praça Carlos Alberto de Souza, no Parque Campolim. Antes da saída, todos os que chegavam na praça Frei Baraúna eram revistados por PMs e GCMs. De acordo com seus comandos, a medida visava garantir a segurança do ato público, evitando o acesso de gente armada, destacaram o tenente Alfredo Massoni, da Polícia Militar, e o inspetor Marcos José Antonio Ferreira. Entretanto, de acordo com os manifestantes, não havia necessidade de tamanho policiamento em torno do prédio da Oficina Cultural Grande Otello: a PM se fez presente com nove viaturas e cinco motos da Rocam, e a GCM, com 12 equipes, entre carros e motos.

Cantando trechos da música Legalize Já, de Marcelo D2, escoltado por batedores da GCM, o grupo começou a descer a avenida Barão de Tatuí utilizando-se da pista sentido bairro, e posteriormente invadindo a pista contrária, a fim de entregar panfletos explicativos para os motoristas que passavam pelo local. O único momento de tensão aconteceu na altura da Igreja de João de Camargo, quando o estudante Gustavo Cervera, 18 anos, saiu do meio do grupo e se voltou para trás para entregar os panfletos para os condutores que seguiam a marcha. Sua atitude irritou um GCM, que deixou a moto e foi retirá-lo do meio dos carros, chamando assim a atenção dos manifestantes, que começaram a gritar “sem violência”.

A situação foi contornada e a marcha seguiu escoltada pela GCM e gritos de “polícia, a maconha é uma delícia” até o início da avenida Antonio Carlos Comitre, seguindo depois sozinha até a praça do Parque Campolim. Viaturas da Polícia Militar também escoltaram o ato público.

Durante a concentração na praça Frei Baraúna, a Urbes desviou o trânsito da rua Cesário Mota pela rua José Antonio F. Prestes, com os ônibus seguindo depois pela rua 13 de Maio e a rua Padre Luiz. Também a rua Arthur Martins ficou bloqueada a partir da Concha Acústica.

Legalização

O técnico de informática Abrahão Alfonsi, 18 anos, um dos organizadores, defende a liberação da maconha mediante os argumentos de que isso reduziria o tráfico de drogas, bem como os gastos do governo no combate ao tráfico. Segundo ele, o tráfico enfraqueceria uma vez que, com a regulamentação, o usuário não precisaria ir até a biqueira, onde os traficantes oferecem outros tipos de drogas, inclusive mais pesadas. Além disso, Abrahão diz que a maconha não causa abstinência, mas reconhece que o uso prolongado e em grande quantidade, pode sim causar comprometimento neurológico.

Por isso, tanto ele como Gustavo Cervera concordam que a legalização seria a etapa final de um processo, que precisa passar pela regularização e conscientização. No panfleto distribuído na marcha, consta que o uso da maconha pode ser “tanto recreativo, religioso, quanto medicinal e industrial”.

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