Peru deve considerar a legalização da maconha, disse o ex-chefe da Comissão Nacional de Controle de Drogas do país. Uruguai tornou-se recentemente o primeiro país da América Latina a legalizar a indústria da maconha, incentivando seus vizinhos a fazerem o mesmo.

Ex-diretor da Comissão Nacional de Controle de Drogas do Peru ( DEVIDA ) Ricardo Soberon apelou para o governo a considerar a legalização da maconha em uma entrevista.

“Temos que abrir o debate com Carmen Masias, o Presidente da DEVIDA , e com a Faculdade de Medicina do Peru. Vamos abrir um fórum que trata, em primeiro lugar, com as questões de saúde e em segundo lugar com a segurança e as implicações do uso da maconha”, disse Ricardo Soberon ao site de notícias Terra. Ele disse que a legalização do mercado de maconha poderia ser uma solução para o comércio de drogas ilegais no Peru.

“A possibilidade de remover o elemento criminal do tráfico de cannabis, uma droga que é muito menos perigosa do que as outras, é a resposta para os 50 anos de repetições das mesmas estratégias sem resultados”, disse Soberon.

Em dezembro, Soberon aplaudiu a decisão do Uruguai de legalizar tanto a venda quanto produção da droga. Mais tarde, naquele mês, o presidente uruguaio José Mujica aprovou em lei a legislação que vai trazer a produção e venda de maconha sob controle do Estado.

Mujica, que propôs a legislação, sustenta que a medida vai ajudar a erradicar o mercado de drogas ilegais no Uruguai. Com isto em mente, o preço inicial da maconha será fixado em US$ 1 por grama, a cotação do preço no mercado negro é de US$ 1,40.

No Peru, o consumo de maconha é legal e um cidadão pode transportar até 8 gramas da droga sem ser penalizado. No entanto, a produção e venda de maconha ainda é ilegal sob a lei peruana.

Uruguai foi criticado após o movimento para legalizar a cannabis, pelo Controle de Narcóticos Internacional (INCB) que atacou o país, acusando-o de violar a lei internacional.

“O Uruguai está quebrando as convenções internacionais sobre controle de drogas com a legislação da cannabis aprovada pelo seu congresso”, disse o INCB, citando várias razões pelas quais acha que o Uruguai tenha cometido um erro, entre eles os riscos à saúde associados ao uso da planta.

Raymond Yans, presidente da INCB, disse que ficou surpreso que o governo “conscientemente decidiu quebrar as disposições universalmente acordadas e internacionalmente fixadas no tratado. ”

Os comentários de Yans provocaram uma forte reação do presidente do Uruguai, que condenou as críticas como “mentiras”, acusando o INCB de duplos padrões: “Um para o Uruguai e outro para países desenvolvidos ao redor do mundo”.

Os EUA também tomou medidas para legalizar o consumo e venda da droga em alguns estados. O Colorado abriu as portas da primeira loja de maconha recreativa legal dos EUA no início de 2014, e Washington espera seguir o mesmo caminho ainda este ano.

Tradução SmokeBud, Via  RT