Entre as diversas campanhas multi-coloridas espalhadas pelo Brasil durante todo o ano, o verde escolheu maio para ser a época de luta pela legalização da maconha. O mês, que já é conhecido como o de abertura das Marchas da Maconha, chegou ao fim. Mas a luta não para e se estende até o fim de junho.

Fechando Maio Verde – que teve mais de 30 atos pela legalização pelo país -, o ativismo canábico levou às ruas 14 marchas neste último fim de semana (29, 30 e 31 de maio).

Poderíamos começar este artigo com belas imagens, registros e depoimentos, sendo apenas mais uma explanação de como foram as últimas MM realizadas no mês. Mas a indignação fala mais alto e não há como ocultar ou simplesmente assoprar como fumaça para dispersar o que realmente rolou nestes eventos.

Entre os 14 atos que foram às ruas, um deles infelizmente contou com a violência e a repressão policial desnecessária, demonstrando nitidamente um falta de conhecimento e afronta a decisão máxima do Supremo Tribunal Federal, que autoriza a Marcha da Maconha desde 2011, garantindo a liberdade de manifestação pela legalização da erva – como explica abaixo Dr. André Barrosmestre em ciência penais, Secretário-Geral da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ e membro da Comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros:

“O único movimento social do Brasil garantido pelo Supremo Tribunal Federal é a MARCHA DA MACONHA. Na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF – 187 e na Ação Direta de Inconstitucionalidade ( ADI – 4274) foram pedidos que as interpretações das decisões judiciais sobre a Marcha da Maconha fossem conforme a Constituição Federal. Então, o Supremo Tribunal Federal, por 9 X 0, nas duas ações, decidiu que prender quem participasse da Marcha da Maconha no tipo de apologia ao crime ofende ao direito de fundamental de reunião, expressamente garantido pelo inciso XVI da Carta Magna. Ninguém pode ser preso por participar de um evento que discute a mudança de uma lei, nem a Constituição possui essa blindagem, é liberdade de manifestação de pensamento, de expressão e de informação.

A decisão da Suprema Corte foi impulsionada por representação protocolada por organizadores da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro em 2009 e foi pautada pela Marcha da Maconha de São Paulo em 2011, ano em que a ADPF 187 foi julgada, quinze dias depois da forte repressão sofrida pelo evento na avenida Paulista.”

Mesmo com uma antiga decisão da Suprema Corte, os abusos, a repreensão e a violência policial continuam ocorrendo contra a Marcha da Maconha, que já se mostrou por a+b ser completamente organizada e pacífica, quando não reprimida violentamente pela polícia e apoiada por seus governantes como ocorreu em Maceió, na Marcha realizada no último domingo (31/05).

O ato que aconteceu na tarde deste domingo (31) reunindo mais de 800 pessoas que marcharam na orla de Maceió, terminou em confusão após a desnecessária e violenta repressão policial.

O embate ocorreu, segundo os organizadores do ato, no final da passeata, no Porto 7, na Jatiúca, local onde estava marcado para o encerramento com apresentações culturais.

De acordo com a reportagem do G1, algumas pessoas ficaram feridas e pelo menos oito foram detidas e encaminhadas para o Complexo de Delegacias Especializadas (Code) da Polícia Civil.

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Polícia sendo Polícia… Foto por Viih Oliveira / Facebook

Entre os detidos estão dois professores universitários e estudantes. Segundo testemunhas, os professores não participavam da marcha, mas tentaram intervir para evitar que os manifestantes apanhassem dos policiais da Radiopatrulha e do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que estavam no local.

Os oito presos foram encaminhados para o Complexo de Delegacias Especializadas, onde prestaram depoimento. Não foram lavrados flagrantes e os acusados foram liberados durante a noite.

Segundo os organizadores disseram que, na confusão, muitas pessoas ficaram machucadas devido às bombas de gás lacrimogênio lançadas pela polícia e tiveram equipamentos eletrônicos danificados.

Uma ação apoiada pelo Secretário de Estado da Defesa Social, Alfredo Gaspar de Mendonça, que classificou uma “zona” a cena que viu ao passar pela orla. “Eu, pessoalmente, vi vários manifestantes fumando maconha”, disse ao Thn1, avaliando como positiva a ação dos militares que fizeram da orla uma zona de conflito.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL), Daniel Nunes, classificou como truculenta a atuação policial na Marcha da Maconha segundo informações do G1.

MOBILIZAÇÃO NAS REDES SOCIAIS

A irracionalidade do BOPE foi alvo de críticas nas redes sociais. Veja abaixo:

Nota por Felipe Olliveira, membro da organização da Marcha da Maconha Maceió, detido durante a manifestação:

Por Felipe Olliveira – Membro da organização da Marcha da Maconha Maceió, detido durante a manifestação.

Posted by Marcha da Maconha – Maceió on Segunda, 1 de junho de 2015

 

SOBRE A REPRESSÃO NA MARCHA DA MACONHA DE MACEIÓ.”Que coincidência! Não tem polícia, não tem violência!”O Secretário…

Posted by Rafael Arley on Segunda, 1 de junho de 2015

Em nota, o Centro Acadêmico Florestan Fernandes – CAFF descreve a ação da polícia:

Nota de repúdio à repressão da PM à Marcha da Maconha – MaceióDia 31 de Maio de 2015, um dia que deveria ser lembrado…

Posted by Centro Acadêmico Florestan Fernandes – CAFF on Domingo, 31 de maio de 2015

Relato de uma das professoras que foi agredida ao tentar defender outros dois colegas que acabaram sendo detidos:

Acabo de ler que o Comando da Polícia Militar do Estado de Alagoas considerou legítimos os acontecimentos de ontem. De…

Posted by Anabelle Lages on Segunda, 1 de junho de 2015

 

Breve relato sobre a Marcha da Maconha de 2015 em Maceió.Domingo ensolarado, dia bonito pra uma Marcha da Maconha….

Posted by Fernando Cirino on Domingo, 31 de maio de 2015

 

REPÚDIO A AÇÃO POLICIAL

O SmokeBud deixa claro que repudia qualquer ato de violência e repressão contra um ato legítimo – e claro, que ameace a vida e a integridade física de qualquer presente. As Marchas são o símbolo de uma luta de já acontece há anos e só hoje pode ser considerada “dentro da lei”.

Também deixamos claro que nos solidarizamos com todos os que, de alguma forma, sofreram por causa das ações das forças policiais. Também vamos as ruas e sabemos muito bem como é, então podemos dizer: quando não há polícia, não há violência; Já passou da hora das autoridades reconhecerem o maconheiro como um cidadão, que também tem o direito de se expressar livremente e de escolher aquilo que quer para a própria vida.

Foto de Capa: Nathi Vilela / Facebook