Com a guerra às drogas, policiais, em vez de proteger a sociedade, tornaram-se soldados de uma guerra, em que eles matam e são mortos, a fim de aplicar uma política fracassada, prejudicial, injusta, arbitrária, irracional e entorpecida. A analise feita por Diego Ferreira¹, retrata bem o momento delicado da nossa história frente às consequências da guerra às drogas.

A polícia é uma instituição criada para proteger o cidadão sendo a primeira instância de poder estatal em contato com a sociedade, cabendo a ela assegurar o cumprimento da lei e da constituição. O policial faz parte dessa sociedade, não sendo um ser de outro mundo. Ele é um cidadão comum, apenas com uma função nobre de fiscalizar e manter o respeito aos mandamentos legais. Dessa forma, a tônica da polícia é o viés repressivo e nesse sentido não cabe ao policial discutir a lei e sim aplicá-la. A prioridade da polícia é o controle do crime.

[pull_quote_left]Enquanto países curam e salvam pessoas com a(s) tal(is) planta(s), no Brasil, incompreensivelmente, injustamente, arbitrariamente, irracionalmente e entorpecidamente, se prende e até se mata pessoas, em nome dela(s).[/pull_quote_left]

Todavia, estamos em um momento muito delicado de nossa história, pois o cidadão/policial ou policial/cidadão de protetor da sociedade passou a ser soldado de uma guerra, a guerra às drogas. E em consequência disso se tornou, também, vítima de bandidos, como fica evidente com as centenas de mortes de policiais, principalmente, nos últimos anos. A função da polícia é perseguir criminosos e não pessoas criminalizadas.

A irracionalidade é de tamanha gravidade que estamos perseguindo pessoas para reprimir e prevenir uma planta, e quando prendemos essas pessoas, saltamos de alegria e estouramos fogos de artifício, estupefatos, quase que em estado de êxtase, como se estivéssemos sob o efeito de uma substância capaz de nos proporcionar tal sensação. É claro! estou a falar do álcool, certamente. Dar gritos de alegria e felicidade por ter apreendido mudas de uma planta e comprimidos é, no mínimo, um pouco estranho, para não dizer outra coisa. Contudo essa planta e os tais comprimidos são ilegais. Ô porque são ilegais, não interessa. Cana neles!. Ah! sim, então podemos festejar a mega operação de sucesso e prisão dos perigosos traficantes que tanto fazem mal a nossa sociedade.

Enquanto países curam e salvam pessoas com a(s) tal(is) planta(s), no Brasil, incompreensivelmente, injustamente, arbitrariamente, irracionalmente e entorpecidamente, se prende e até se mata pessoas, em nome dela(s).

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¹Inspetor de Polícia, pós-graduado em Segurança Pública e Cidadania pela UFRGS. Trabalha no Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico-DENARC, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, é membro do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas e Porta-Voz, no Brasil, do movimento Law Enforcement Against Prohibition – Leap Brasil