Organizadores defendem que espaço é plataforma de ativismo, convivência e troca de experiências

A Polícia Civil identificou quatro pessoas que teriam organizado a 2ª Copa Growroom, campeonato de maconha realizado no fim de 2013 na Capital. A competição, que tinha o objetivo de avaliar diferentes tipos da erva cultivada em ambiente doméstico, reuniu cerca de cem pessoas no dia 7 de dezembro, em uma pousada no bairro Lami, zona sul de Porto Alegre.

Apesar de reconhecer que alguns deles são ativistas que tentam sensibilizar as autoridades e a sociedade para a liberação do uso da droga, a polícia pretende ser dura com todos os participantes. O diretor de investigações do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), Heliomar Franco, classificou como um “deboche” a atitude do grupo de divulgar, na internet, um vídeo com imagens do encontro.

– Eles se expuseram nos vídeos. Além de terem feito uma coisa ilícita e inusitada, cometeram o grande equívoco de se autoidentificar. Parece que querem nos testar. Não se reuniram para fumar maconha, eles fizeram uma competição para outras pessoas provarem, trouxeram a droga de outros locais, e isso é tráfico. Se cada um estivesse com o seu pacotinho e provasse do seu, seria posse para consumo, mas não foi isso o que aconteceu. Aqui, se aplica a lei da repressão. Não tem margem para discussão – afirmou o delegado.

Pena pode chegar a 15 anos de reclusão

Para Franco, as imagens obtidas pela polícia por meio das redes sociais mostram um comportamento que se enquadra como tráfico, associação para o tráfico, posse de entorpecentes e apologia ao consumo da droga. Os quatro já identificados devem ser indiciados nos próximos dias.

A pena pode chegar a 15 anos de reclusão. Já foram identificados usuários de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro no grupo. A polícia pretende esclarecer o caso dentro de 15 dias e estuda se vai intimar os participantes para que prestem depoimento ou se vai pedir à Justiça para que seja decretada a prisão temporária dos organizadores.

A competição é comum em locais onde a droga é legalizada, como na Holanda. Esta foi a segunda vez que o evento ocorreu no Brasil. Em 2012, o campeonato foi em Florianópolis.

O que dizem os organizadores do evento

A pedido de ZH, o Growroom emitiu uma nota de esclarecimento. Leia a íntegra:

“O Growroom é um espaço de redução de danos para usuários de cannabis e uma plataforma de ativismo, convivência e troca de experiências. Defendemos o cultivo caseiro como alternativa segura e consciente ao mercado ilegal da cannabis, amparado pela atual política de drogas proibicionista.

É expressamente proibido qualquer tipo de comércio da maconha na Copa Growroom. Afinal, trata-se de um evento lúdico que tem por finalidade reunir usuários de cannabis de todo o país, que cultivam a planta para fins pessoais.

O evento nada mais é que um churrasco, somente para maiores de 18 anos, onde os participantes avaliam a qualidade da erva que é cultivada por eles e discutem os mais variados temas que envolvem o debate sobre a política de drogas brasileira.

O espaço onde ocorreu o evento foi alugado para a realização de um churrasco de confraternização de fim de ano. Não houve qualquer participação ou ciência prévia dos proprietários.

Acreditamos que o cultivo caseiro – prática que já é contemplada pela Lei 11.343/2006 – deve ser regulamentado urgentemente, a fim de possibilitar que o usuário de maconha obtenha a erva sem precisar recorrer ao tráfico, que o coloca de frente a drogas pesadas e situações de perigo.

Pedimos urgência, também, no processo de descriminalização do usuário de drogas que tramita no Supremo Tribunal Federal, o RE 635659. Esperamos que o Brasil adote políticas de drogas mais racionais e humanas, que respeitem a liberdade individual de seus cidadãos, a exemplo do Uruguai e do estado americano do Colorado que, recentemente, legalizaram o uso da cannabis e mostraram ao mundo que é possível acabar com a injusta e assassina guerra às drogas.”

Campeonato teve ativistas vindos do Exterior

Uma estrada de chão batido leva à pousada da zona rural de Porto Alegre, no bairro Lami, onde ocorreu o campeonato brasileiro de maconha. Antigo haras, o local tem uma ampla área de lazer (cerca de 400 mil metros quadrados) e abriga frequentemente encontros de empresas, festas e casamentos em meio à mata nativa.

Tudo começou no final de novembro de 2013. Do outro lado do telefone, uma voz com sotaque paulista fez a reserva com mais de uma semana de antecedência. Os participantes não quiseram deixar nome ou qualquer contato com os proprietários nem avisaram qual seria o motivo do evento. Dispensaram faxineiros e cozinheiros da casa, que tem 10 quartos e quatro apartamentos, mas nenhum seria ocupado.

No espaço onde ocorreu a competição, uma espécie de galpão com cozinha, há cerca de 60 cadeiras e algumas mesas de madeira. No dia 7 de dezembro, depois do meio-dia, os visitantes começaram a chegar em poucos carros e duas vans. Por volta das 21h, avisaram o dono da hospedaria, cuja casa onde mora com a família fica no alto do terreno, distante do galpão, que estavam indo embora. Como pagamento, entregaram ao proprietário R$ 3 mil em notas de R$ 20 e de R$ 50.

Imagens foram retiradas da web

Os participantes, a maioria de classe média alta, vieram de outros Estados. Alguns porto-alegrenses também participaram. O quórum também foi internacional, com a presença de um militante da Califórnia, nos EUA.

Sem a intenção de parecer um campeonato às escuras, gravaram tudo e postaram na internet um vídeo onde aparecem fumando maconha, trajando a camiseta do campeonato e analisando, com instrumentos, a qualidade das ervas. Alguns, com papel e caneta, avaliam o produto, acondicionado em potes de tampa verde, identificado com o nome de seu produtor. As imagens foram retiradas da web tempos depois pelos próprios organizadores.

ZH tentou entrevistar os participantes, mas eles preferiram não falar sobre o evento. Enviaram uma nota (leia a íntegra acima), na qual explicaram que se consideram uma plataforma de ativismo. Defendem o cultivo caseiro de cannabis como “alternativa segura e consciente ao mercado ilegal”.

Via Zero Hora

Na Pontinha…

Fazemos das palavras do Growroom as nossas!

(…)Pedimos urgência, também, no processo de descriminalização do usuário de drogas que tramita no Supremo Tribunal Federal, o RE 635659. Esperamos que o Brasil adote políticas de drogas mais racionais e humanas, que respeitem a liberdade individual de seus cidadãos, a exemplo do Uruguai e do estado americano do Colorado que, recentemente, legalizaram o uso da cannabis e mostraram ao mundo que é possível acabar com a injusta e assassina guerra às drogas(…)”

Todo apoio à galera do Gr e que essa batalha seja vitoriosa e sirva para calar a boca de toda sociedade hipócrita que critica a maconha, mexendo seu Whisky no gelo e tragando seu cigarrinho!