Segundo analistas, a loucura pode ser reconhecida em diversas facetas, a mais clássica é a seguinte: quando você faz sempre a mesma coisa esperando um resultado diferente, então você já se atolou na insanidade. Por razões lógicas, muito bem alinhavadas no livro “O fim da Guerra”, hoje estou convicto que é necessário mudar o enfoque no combate às drogas, começando pela liberação da maconha.

Sendo um profissional conservador, pai de cinco filhos, e ciente de que o uso de entorpecentes é algo danoso à sociedade, minha posição é a de um cidadão que enxergou a inutilidade do que estamos realizando.

Primeiro que nada adianta gastar milhões de dólares em múltiplos aparados de policiamento, colocar milhares de pessoas na cadeia, num processo cuja demanda jamais diminuiu. É necessário reconhecer que a Cannabis sativa é de uso amplo e com aceitação recreativa em diversos segmentos da sociedade. Das chamadas elites intelectuais aos grotões do povão, o baseado corre a granel. Podem enjaular quantos bem entender que o consumo não vai reduzir.

Os Estados Unidos, país que difundiu e intensificou o modelo de restrição em vigor no mundo, já se rendeu e a indústria da maconha se firma num mercado com bilhões em faturamento e arrecadação de impostos. Por quê? O Tio Sam sabe como poucos, que a proibição não resolve o problema. A lei seca foi um exemplo histórico.

Muitos acreditam, erroneamente, que a sociedade vai se tornar uma Sodoma e Gomorra com gente queimando erva nos escritórios, hospitais e creches da nação. Não é bem assim, quem usa vai continuar tragando e quem não tem interesse em se drogar evitará o vício.

Se o Estado, como acontece no Uruguai, toma as rédeas da distribuição e do plantio, tira dos narcotraficantes o controle do segmento e, de quebra, fatura na cobrança de impostos. Todo o faturamento pode, e deve, ser canalizado na educação das crianças com a finalidade de prevenir viciados. É uma nova tática que pode funcionar. É bom lembrar que a atual já faliu.

Sugiro aos leitores que busquem informações detalhadas, impossíveis de serem aglutinadas em um único artigo, no livro (O fim da guerra), citado nesse artigo. Ali, o autor demonstra, com uma clareza difícil de ser contestada, a insanidade em se manter nos moldes atuais de combate à maconha.

Na cartilha do momento, alimentada principalmente pela hipocrisia, apenas incentivamos o incrementa das quadrilhas e desviamos a polícia nos reais propósitos em defesa dos pais da família. Entendo que essa discussão é muito profunda e capaz de gerar debates acalorados. É necessário que aconteça. Evidente que a maconha faz mal. Assim como o álcool e o cigarro. Entorpecentes permitidos, que estão sendo combatidos de forma inteligente e com estratégias que reduzem o consumo.

Rosenwal Ferreira, Jornalista e Publicitário
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Via Diário de Manhã