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As pequenas economias do Caribe começam a estudar a legalização, ou pelo menos a descriminalização, do consumo e posse de maconha, e na próxima semana o Senado de Porto Rico debaterá a questão.

A possível descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha, assim como da legalização de sua venda e consumo com fins medicinais, gerou um grande debate no país nas últimas semanas.

As emissoras de rádio e televisão vem abordando o assunto e cada vez mais personalidades locais reconhecem abertamente ter consumido maconha e pedem uma flexibilização das leis.

“Vamos deixar de hipocrisia”, disse recentemente Miguel Pereira, senador do partido governante que apresentou a proposta de descriminalizar a posse de 28 gramas de uma planta que acredita-se que pode ser até mais consumida do que o tabaco na ilha.

Nos setores universitário e empresarial também surgiram vozes apoiando a iniciativa, com o argumento de que a penalização do consumo destruiu a carreira estudantil e profissional de milhares de jovens.

Na terça-feira será realizada a primeira audiência pública no Senado porto-riquenho para escutar as partes interessadas e se começar a estudar a proposta de emenda à lei vigente, que estabelece multas de até US$ 5.000 e três anos de prisão para quem, “com pleno conhecimento ou intencionalmente, possuir alguma substância controlada”.

Pereira, o criador da iniciativa, foi promotor público por doze anos, chefe da polícia de Porto Rico e secretário penitenciário.

Além de Porto Rico, muitas outras economias do Caribe analisam a possibilidade de flexibilizar a legislação relativa à maconha, tanto para reduzir despesas policiais, judiciárias e penitenciárias, como para aumentar a receita, que poderia ser obtida com impostos se a substância for vendida legalmente.

Entre estes países estão a ilha de Santa Lúcia e a Jamaica, um dos principais fornecedores de maconha do Caribe, onde inclusive existem visitas turísticas guiadas para plantações ilegais.

Existe na Jamaica uma forte pressão para regular o comércio de maconha, o que poderia se transformar em fonte de renda por meio de impostos e turismo, e além disso ajudaria a diminuir a corrupção policial e os gastos com uma política repressiva, argumentam os defensores de mudanças.

O médico jamaicano Henry Lowe, um dos pioneiros no estudo das propriedades medicinais da cannabis sativa, disse nesta semana ao jornal “Jamaica Gleaner” que o governo de seu país deve estudar seriamente os benefícios da produção e venda de produtos relacionados à maconha, incluídos produtos cosméticos e farmacêuticos.

O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, propôs ao chefe de governo de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, que na qualidade de presidente da Comunidade do Caribe (Caricom) impulsione um debate sobre a legalização da venda e consumo de maconha com fins medicinais na região.

“Acho que já é hora da Caricom abordar em nível regional este assunto de uma maneira sensível, centrada e sem histerismos”, afirmou Gonsalves é uma mensagem divulgada nesta semana.

“É certo que o mal uso da maconha e a consequente penalização de seu cultivo, posse e fornecimento tiveram um impacto na saúde, riqueza e segurança de nossos povos”, acrescentou o líder.

A Caricom é integrada por Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Montserrat, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago.

A organização de integração regional inclusive poderia iniciar os trabalhos preparatórios com tempo suficiente para incluir o assunto na agenda da cúpula prevista para fevereiro de 2014, segundo Gonsalves.

Nos Estados Unidos, Colorado e Washington já permitem o consumo de maconha entre maiores de 21 anos, e outros 18 estados e Washington legalizaram a substância para fins medicinais ou despenalizaram o consumo em pequenas quantidades.

Outros países que adotaram medidas semelhantes foram Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, Egito, Holanda, México, Portugal e Uruguai.

Via: Uol

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