Enquanto o Congresso americano se recusa a tomar a liderança na questão e na falta de regulamentações federais que garantam imunidade aos bancos para lidar com o dinheiro da indústria legal da erva, o Potcoin surge como uma forma mais segura, que um cofre na sala do fundos, aos donos de dispensários. As informações são da Vice.

A INDÚSTRIA LEGAL DE MACONHA AGORA TEM SUA PRÓPRIA CRIPTOMOEDA: O POTCOIN

Os Pais Fundadores norte-americanos, como George Washington e Thomas Jefferson, negociavam em cânhamo. Os fundadores da nova indústria de maconha legalizada dos EUA negociam em PotCoins.

A mais nova moeda virtual a se destacar desde o Bitcoin tornou-se uma marca conhecida: os PotCoins são utilizados por dispensários de maconha medicinal, produtores da erva, cafeterias do Colorado e outros empreendedores da área, que buscam uma maneira segura de guardar seu dinheiro.

A maioria dos bancos não aceita lucros provenientes da venda de maconha por medo de desobedecer leis federais dos EUA. Então, os negócios relacionados à erva que estão de acordo com leis estaduais acabam acumulando pilhas de dinheiro, que atraem bandidos e levam à violência, como quando sequestradores supostamente cortaram o pênis de um dono de dispensário da Califórnia em 2012, quando ele não pôde ou não quis revelar a localização de suas economias.

Com o Bitcoin, Dogecoin, Litecoin e uma série de outras criptomoedas, os compradores de PotCoin colocam seu dinheiro no ciberespaço.

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“Teoricamente, isso fornece uma maneira excelente de ajudar os negociantes a armazenar seu dinheiro por meio d uma forma mais segura do que num cofre na sala dos fundos”, disse Erik Altieri, diretor de comunicação do NORML, um grupo pró-legalização da maconha. “Dinheiro na mão cria uma situação muito perigosa.”

Como o Bitcoin, os PotCoins são computados num livro on-line que ignora o sistema financeiro tradicional — não é necessário declará-lo em alfândegas ou pagar taxas de câmbio, transferência eletrônica e, até recentemente, impostos, agora que a Receita Federal decidiu que as moedas virtuais incorrem em ganhos de capital.

O valor da moeda — agora menos que 0,002 PotCoins por US$1 — flutua conforme ela é comprada, vendida e negociada, como as ações em Wall Street. Os preços do Bitcoin chegaram a US$1.200 antes de se assentarem em cerca de US$600 na quarta-feira passada, de acordo com a CoinDesk, uma firma de pesquisa do Bitcoin.

Mas Altieri diz não acreditar que o PotCoin anuncie uma era de ouro para o comércio legal de maconha.

Muitos dispensários e revendedores gostariam de operar como um negócio normal, com talões de cheque e depósitos, ele afirmou. Hackers podem roubar Bitcoins. As autoridades federais têm perseguido traficantes que usam moedas virtuais, como o Silk Road, extinto mercado de drogas pela internet. Isso é, dificilmente, um bom modelo de negócio, ele disse.

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Mas na falta de regulamentações federais que garantam imunidade aos bancos que lidam com isso, os empreendimentos de maconha não têm outra escolha a não ser tentar algo novo, acrescentou Altieri. “Isso parece uma evolução natural, considerando que o Congresso americano se recusa a tomar a liderança na questão”, ele disse.

Pete Rizzo, editor da CoinDesk, não acredita que o PotCoin seja, particularmente, um bom reflexo para as criptomoedas. Mas ele aponta que o PotCoin é garantido pela maconha da mesma maneira que milho e trigo podem garantir um empréstimo ou outros negócios.

“Para algo como o PotCoin, sua utilidade a longo prazo é bastante questionável, mas como experimento, é um testemunho de quão aberta é a indústria de moedas virtuais para novas ideias”, disse Rizzo.

Os críticos, que questionam se os compradores de PotCoin podem confiar que a criptomoeda vai manter seu valor, esquecem que moedas nacionais também podem despencar, como o euro, por exemplo. Enquanto os comerciantes de maconha comprarem PotCoins, o dinheiro digital vai ser valioso, segundo Rizzo.

“Não importa se uma coisa vale dinheiro se as pessoas usam isso como valor de troca”, disse ele. “Afinal, qual é o valor do dinheiro?”

Agradecimento ao blog “Apologia ao Conhecimento” que nos encaminhou a matéria

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