Senado uruguaio vai analisar projeto aprovado pela Câmara dos Deputados

Na quarta-feira, dia 31 de julho, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou o projeto de lei que legaliza a produção e o consumo da maconha. Agora o projeto deve passar por análise pelo Senado, mas é esperado que seja aprovado com facilidade.

O Diário Catarinense conversou com Lucas de Oliveira, um dos fundadores e presidente de honra do Instituto Canabbis. Foi inclusive candidato a vereador em Florianópolis com a bandeira da liberação da maconha e fez 1115 votos. Ele defende a descriminalização por acreditar que proibir a maconha gera o tráfico, um problema social maior que o provocado consumo da droga.

Diário Catarinense: A legalização acabaria com o tráfico e a violência?
Lucas de Oliveira: Não acabaria totalmente. Mas a hegemonia do fornecimento acabaria. Pessoas vendem cigarros, mas não existe briga por pontos de distribuição do produto. Com o mercado regularizado as empresas entram no negócio, o preço cai e traficante não tem condição de competir. E a pessoa planta em casa e impede contato com criminosos.

DC: A maconha prejudica a saúde?

Oliveira: Difícil responder porque não existem estudos. A proibição interfere na realização de pesquisas. Claro que qualquer substância ingerida por uso continuada pode fazer mal a saúde. Quanto a canabbis, nós sabemos que no caso de esquizofrenia causa surto. Mas tem aplicações farmacêuticas com o glaucoma.

lucas thc no dc

DC: Não é um contrassenso defender a liberação da maconha numa época de combate ao uso do tabaco? 

Oliveira: Não dizemos para a maconha que é bom. Qualquer droga deve ser desestimulada. Estamos aqui para mostrar que a proibição causa mais problemas com tráfico e violência que a droga em si. Envio a mensagem não use drogas da mesma maneira como não abuse do sal ou açúcar.

 

DC: Por que a maconha deve ser legalizada? 

Oliveira: Por vários motivos. O principal é fazer uma indústria que promove a morte passe a produzir lucratividade para sociedade. Ser proibido cria o tráfico que gera violência. Em seis mil anos de existência não existe registro de morte por uso de canabbis.

Via Diário Catarinense