André da Cruz Teixeira Leite, o Cert, da banda Cone Crew Diretoria, é usuário, e colegas defendem descriminalização. As informações são do O Globo

A prisão de um músico em Miguel Pereira, no Centro-Sul do estado, na tarde deste domingo, pôs mais fogo na discussão sobre a descriminalização e a regulamentação do uso da maconha. André da Cruz Teixeira Leite, o Cert, de 28 anos, um dos fundadores da banda de rap Cone Crew Diretoria, foi detido por plantar maconha em casa.

De acordo com a polícia, a denúncia foi feita pela própria sogra do cantor. Segundo o delegado Cláudio Nascimento de Souza, da 96ª DP (Miguel Pereira), André foi autuado por tráfico e, se for condenado, pode pegar de três a oito anos de prisão.

— Ele afirmou que cultivava para consumo próprio, mas eram vários jarros de plantação. Pela lei, plantar ou possuir derivados ou sementes são consideradas atividades criminosas. Tudo depende da avaliação da polícia — disse o delegado.

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Pés de maconha apreendidos na casa do músico André da Cruz

Em nota, a banda se posicionou pela legalização do uso da maconha. O grupo afirmou que há muitas “pessoas importantes” a favor da descriminalização e citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como integrante da corrente progressista. “Nós repudiamos o tráfico de drogas, a ineficiente política de tratamento aos viciados e principalmente a prisão de usuários. Hoje (domingo) fomos vítima dessa lei antiga, estúpida e ineficaz, igual a quase todas as demais existentes no Brasil, onde ladrões, corruptos, traficantes e foras da lei de todas as espécies estão agora na praia e um dos nossos é detido acusado de cultivar maconha para uso pessoal. Cantor não é traficante e nem precisa disso pra viver”, afirma o texto publicado na página oficial da banda no Facebook.

É a terceira prisão este ano a chamar a atenção para a questão. Nos outros casos, ocorridos em janeiro, os detidos também cultivavam a erva em casa. Em um deles, cerca de 50 pés de Cannabis foram encontrados no jardim de um professor universitário de 57 anos, no Humaitá. No outro, policiais dizem ter se deparado com 19 pés e 44 mudas da erva na casa de um homem de 30 anos no Alto da Boa Vista.

SOCIÓLOGA PEDE REVISÃO DA LEI

Para defensores da descriminalização, as três situações trazem à tona uma situação paradoxal: na tentativa de evitar o comércio ilegal e garantir o uso, consumidores estariam sendo categorizados como criminosos.

A socióloga Julita Lemgruber está ao lado daqueles que acreditam que é preciso revisar com urgência a legislação no que diz respeito ao assunto. Segundo ela, a lei dá margem a uma série de contradições no que se refere ao consumo e à forma como os usuários de maconha conseguem o entorpecente.

— Está mais do que na hora de deixarmos a hipocrisia de lado. Todo mundo sabe onde comprar drogas nas grandes cidades. Não é possível que nós, enquanto cidadãos, continuemos a aceitar que as drogas estejam, na prática, sem nenhum controle, mas, ao mesmo tempo, aceitar que pessoas que cultivam a sua própria maconha sejam criminalizadas.

Na contramão, o tenente-coronel reformado da PM Milton Corrêa da Costa acredita que a legalização do consumo da maconha representaria “um câncer social”. Ele acredita que o caráter proibitivo inibe o uso desenfreado das drogas.

— A linha tênue entre consumo e tráfico sempre existirá, mas a liberação é um tiro pela culatra, é deixar a porta escancarada para os perigos que as drogas trazem.


 

O Empresário Alexandre Duncan da banda ConeCrew Diretoria, fala sobre a prisão de Cert, um dos integrantes do grupo, preso acusado de tráfico de drogas por plantar quatro pés de maconha em seu apartamento. Ouça a entrevista na rádio CBN

  • Felipe Medeiros

    O cara ganha a vida com música falando da descriminalização e os puliça acha que ele trafica com essas quatro muda… não véi…. ta tudo errado 🙁

  • Xande Santos

    Se a erva fosse do mal como esta sociedade prega, muita gente trabalhadora e pai de família já deveriaa estar no inferno. Porém muitos cidadãos honestos e exemplares estão aí para provar que não, aguardemos mais uns anos, certas mudanças, além de necessárias, são inevitáveis que aconteçam, uma vez que encerram um ciclo da natureza. Um dia este planeta será inabitável, uma pessoa raramente vive mais que um século..não adianta crer na proibição de uma erva que faz parte deste ambiente que você e eu partilhamos, você nem eu levaremos nossa carcaça, tampouco nosso suado ouro que batalhamos dia após dia para o céu, então viva feliz sem reprimir os hábitos dos outros. OBS: por politicas públicas + igualitárias, e meu direito de fazer meu tratamento com esta erva. Desejo, paz, saúde, educação, esporte á todos.

  • marcelo

    alguem tem seda ai ?