Proeminentes mexicanos, incluindo ex-ministros, empresários, artistas e um cientista ganhador do Prêmio Nobel, pediram ao governo para descriminalizar a maconha, em uma tentativa de conter a violência das gangues e da corrupção.

Desde 2007, cerca de 80.000 pessoas foram mortas em guerras territoriais entre os cartéis de drogas e confrontos com as forças de segurança, levando a pedidos de uma mudança na política, no México e em outros países na guerra liderada pelos EUA contra as drogas.

Um anúncio de jornal pedindo a descriminalização da cannabis, reuniu uma das mais diversas coligações empurrando o México na direção na mudança. Esse lobby incluiu uma série de figuras influentes na vida pública.

Entre os signatários estavam vários ex-ministros do Partido Revolucionário Institucional, atores famosos, o magnata da mídia Ricardo Salinas Pliego e  Mario Molina, Prêmio Nobel de Química.

O anúncio argumentava que a criminalização dos narcóticos era mais lucrativo para os cartéis, observava que um número de Estados dos EUA tinha legalizado a maconha e que o Congresso do Uruguai tem tomando providências para legalizar o cultivo e venda da droga.

“O México tem pago um alto custo, devido a aplicação de uma política punitiva de proibição”

“Nós sabemos muito bem que nem a descriminalização nem qualquer outra medida individual representa uma panaceia para acabar com a violência, a corrupção e a ilegalidade no México. Mas uma descriminalização efetiva do consumo de maconha, aumentando a posse permitida para uso pessoal é um passo na direção certa.”

Em 2009, o México tornou legal para transportar até 5 gramas de maconha, 500 miligramas de cocaína e pequenas quantidades de heroína e metanfetaminas.

Apesar deste passo, o então presidente Felipe Calderón apostou sua reputação para livrar o México dos brutais cartéis de drogas. Ele designou as forças armadas para combatê-los, mas a violência aumentou, e cerca de 70 mil pessoas morreram em crimes relacionados com gangues em seu mandado.

Seu sucessor, Enrique Pena Nieto, assumiu a presidência em dezembro prometendo reduzir os assassinatos. Mas, enquanto o número de mortes caiu, os tiroteios e execuções ainda tiram quase 1.000 vidas por mês, na segunda maior economia da América Latina.

Plataforma de Lançamento

Pena Nieto, até agora, se coloca contra o afrouxamento das leis de drogas no país, mas diz que está disposto a debater o assunto.

O ex-presidente Vicente Fox, um acérrimo defensor da reforma de drogas, disse em julho que acreditava México poderia legalizar a maconha antes de Pena Nieto deixa o cargo em 2018.

Um dos notáveis signatários do anúncio, foi o ex-ministro das Finanças, Pedro Aspe, um mentor do atual Ministro das Finanças Luis Videgaray e um dos assessores mais próximos de Pena Nieto .

Outros deles são atores como: Gael Garcia Bernal e Diego Luna, dois ex-ministros da Saúde, ativistas Javier Sicilia, Calderón e Juan Ignacio Zavala.

Os legisladores disseram que a Cidade do México poderia servir como uma plataforma de lançamento para uma mudança na política de drogas. Governo da Cidade do México se aproveita do pontos de vista mais liberais na capital para aprovar leis importantes, como a legalização do casamento gay.

O anúncio público fez o mesmo argumento.

“A opinião pública na capital é cada vez mais tolerante com as escolhas individuais e também com uso de maconha, com intuito de criar uma regulamentação mais completa no futuro”.

Altos funcionários do Partido da Revolução Democrática, que lideram a Cidade do México, dizem que o partido poderia apresentar uma proposta para flexibilizar as leis de maconha na capital ainda este ano.

Tradução SmokeBud, via Reuters