Mesmo depois da histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, no dia 15 de junho deste ano, por 8 X 0, considerando que a Marcha da Maconha está garantida pela ‘dignidade da pessoa humana’, um preceito fundamental da República, e pela garantia fundamental de que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público. No dia 12/12/2011, ‘O Dia online’ publicou artigo do psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD), em que ele se manifesta contra as Marchas da Maconha.

A figura da autoridade do saber psiquiátrico e seu discurso do interesse social e da saúde diz que é uma obrigação das pessoas responsáveis impedir, pelo debate e vias legais, as Marchas da Maconha. Mas que vias legais são essas, se a decisão é da Suprema Corte, à qual não cabe mais recurso? Como o jornal publica esse artigo sem esclarecer à população que o STF decidiu, por unanimidade, a legalidade de nosso movimento?

Os integrantes de diversas áreas, inclusive do saber médico, precisam entender que vivemos numa democracia e, se não toleram, agora são obrigados a aceitar o debate a respeito da maconha. Após a decisão do STF, em 15 de junho, perdeu-se o direito de impedir, pelas vias judiciais, o debate e o florescimento da ideia de legalizar a maconha no Brasil.

Devemos debater, sim, esse poder-saber psiquiátrico que internou e ainda interna maconheiros por absurdo preconceito. Esse poder de patologizar, estigmatizar e internar os supostamente loucos maconheiros. O poder científico de classificar os psicotrópicos, que coloca a maconha na lista número ‘1’ das substâncias mais proibidas nas Convenções Internacionais, é que deveria ser debatido. É importante recordar que estas decisões e classificações foram tomadas sob forte influência dos psiquiatras brasileiros lombrosianos nas primeiras décadas do século XX. Vamos debater a proibição da prescrição médica da maconha e o interesse do trilionário mercado dos laboratórios de drogas lícitas em criminalizar a planta.

As Marchas da Maconha vão ocorrer em várias cidades brasileiras e do mundo. Só que, agora, no Brasil, elas têm a garantia do Supremo Tribunal Federal e ponto final.