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Núcleo de Políticas de Drogas do PT convida em carta aberta, que será divulgada nesta sexta, população para debater a legalização da maconha sob uma perspectiva de segurança e saúde pública. Segundo Eduardo Silva, o objetivo não é constranger a presidente Dilma Rousseff, nem o PT, mas fomentar o debate: “Se tem um partido com condições de fazer esse debate, este partido é o PT”. Confira a matéria de Andréia Sadi para a Folha de S.Paulo.

Inspirado pelo Uruguai, primeiro país do mundo a legalizar a produção e o comércio da maconha, o Núcleo de Políticas de Drogas do PT divulga nesta sexta-feira (13) carta aberta à sociedade brasileira pedindo que a legalização da maconha seja debatida sob uma perspectiva de segurança e saúde pública.

“Não pode haver pacto de silêncio sobre o assunto”, afirmou Eduardo Silva, coordenador do grupo. Em trecho da carta, à qual a Folha teve acesso, o núcleo diz apoiar a legalização da erva e critica a atual política de “guerra às drogas”, chamada de “disfuncional, míope e geradora de violência”.

A redação do documento foi decidida em plenária do núcleo durante o acampamento Aldeia da Juventude, no último fim de semana de maio, em Guarulhos (SP). Na presença da presidente da República, alguns jovens gritaram no evento: “Dilma Rousseff, legaliza o beck [cigarro de maconha]”.

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“Dilma Rousseff, legaliza o beck” – Fauzi Beydoun em show da banda Tribo de Jah dia 31 em Guarulhos. O show aconteceu após ato político no Festival Aldeias da Juventude.

Nos últimos quatro anos, o governo evitou tratar do tema em público, mas demonstrou receio com a liberação no Uruguai e seus efeitos.

Em 2010, quando ainda era candidata, Dilma se posicionou contra a legalização das drogas, afirmando, em entrevista à revista “Rolling Stone”, que a sociedade não estava pronta para “uma mudança dessa natureza”.

Segundo Silva, o objetivo da carta não é constranger Dilma nem o PT, mas fomentar o debate e ampliá-lo para todas as instâncias partidárias: “Se tem um partido com condições de fazer esse debate, este partido é o PT”.

Para apoiar a legalização, o núcleo argumenta que há mais de 50 mil homicídios no país, grande parte deles ligados ao narcotráfico.

“A atual política é cúmplice desse massacre, que atinge sobretudo a juventude negra que vive nas periferias. No continente americano, bilhões são gastos nessa política, que tem deixado um rastro de violência em toda a América Latina”, diz a carta.

OUTRO LADO

Procurado, o Ministério da Justiça afirmou que o governo federal tem acompanhado a implantação das novas leis no Uruguai e nos EUA sobre o uso de maconha.

“Respeitamos a soberania de cada país e sabemos que projetos semelhantes foram apresentados na Câmara dos Deputados. O governo brasileiro não trabalha para adoção de uma política de legalização da maconha.”

A assessoria do PT não respondeu até a conclusão desta edição da Folha de S.Paulo.

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