O inimigo número 1 dos LGBTs (e das mulheres, das minorias, dos movimentos sociais, dos maconheiros e de mais um monte de gente) na próxima temporada tem nome: Eduardo Cunha. Eleito à presidência da Câmara é ainda defensor da criminalização da “heterofobia”.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ ) foi eleito para a Presidência da Câmara com 267 votos no domingo 1º. O candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP ) teve 136 votos, Júlio Delgado (PSB-MG) obteve 100 votos e Chico Alencar (PSOL-RJ) conquistou 8 votos. Dois deputados votaram em Branco. Eduardo Cunha exercerá o comanda da Câmara nos dois próximos anos.

A eleição foi definida em primeiro turno porque Cunha obteve mais que a metade mais um dos votantes. Todos os 513 deputados votaram no pleito, segundo Agência Brasil.

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Eduardo Cunha é eleito em primeiro turno presidente da Câmara com 267 votos – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 

Para quem já escutou falar, no novo Presidente da Câmara, mas não sabe quem é o tal do Eduardo Cunha, confira abaixo o artigo escrito por Mauricio Moraes*, publicado no dia 30/01 na Carta Capital, em que explana bem o fundamentalista religioso que comandará a Câmara.

Cunha e a cruzada contra “gays, abortistas e maconheiros”

Deixem de pensar por um minuto em Bolsonaro ou no Marco Feliciano. O inimigo número 1 dos LGBTs (e das mulheres, das minorias, dos movimentos sociais, dos maconheiros e de mais um monte de gente) na próxima temporada tem nome: Eduardo Cunha.

“Estamos sob ataque dos gays, abortistas e maconheiros”, já tuitou, peremptório, o deputado carioca do PMDB, o mais esperto representante dos fundamentalistas religiosos no Congresso.

Em 2010, Eduardo Cunha apresentou um projeto no mínimo excêntrico, para não dizer insolente: a criminalização da heterofobia. No alto de sua hombridade, Cunha se sentia “descriminado” pelos LGBTs, como argumentou na época. Mas isso é fichinha…

Vamos às apresentações. Eduardo Cunha, 56 anos, é radialista, economista e líder evangélico. Entrou na política pelas mãos do tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, o falecido PC Farias. Cunha era o responsável pelas finanças do comitê carioca do então candidato, em 1989. Virou presidente da antiga Telerj, a companhia telefônica do Rio. Foi exonerado depois de um escândalo de corrupção na estatal.

Tornou-se então radialista da Melodia, rádio de propriedade do pastor e ex-deputado Francisco Silva, fundador da Igreja Sara Nossa Terra. Evangélico, Cunha reapareceu no centro da política carioca em 1999, com a ajuda do então governador Anthony Garotinho. Virou presidente da Companhia Estadual de Habitação, mas ficou no cargo por apenas seis meses. Foi afastado em meio a outro escândalo de corrupção.

Em 2001, virou deputado estadual (era suplente), garantindo imunidade parlamentar em meio às investigações. Daí em diante teve uma carreira meteórica, embalada pelo bordão de seu programa de rádio “O povo merece respeito!”. No ano seguinte, elegeu-se deputado federal. Não demorou muito para se tornar um mestre do ofício nos corredores do Congresso.

Eduardo Cunha, agora do PMDB (já foi PRN e PPB), é o novo Presidente da Câmara. Ou seja, ele será a pessoa a escolher qual projeto de lei vai ou não a votação no plenário. E Cunha já avisou: não colocará na pauta qualquer projeto que criminalize a homofobia, que mude a lei do aborto ou que revise a política de drogas.

Ou seja, o compromisso de Dilma Rousseff de pautar a criminalização da homo e da transfobia no Brasil está em risco. Cunha, aliás, é um dos grandes pesadelos da presidenta e o mais resiliente exemplo da esquizofrenia e disfuncionalidade do sistema político brasileiro (cadê a Reforma Política?).

Embora seja do PMDB, um partido em tese aliado, tem sido o grande inimigo do Planalto. (E você, que é de oposição de esquerda, não precisa comemorar esse fato, como já verá).

Cunha foi um dos maiores empecilhos na aprovação de legislações progressistas como o Marco Civil da Internet. Era ferrenho opositor da “neutralidade da rede”, que proíbe as empresas de telecomunicações de regular o conteúdo que circula no serviço de internet. A liberdade na rede do cidadão significa, nesse caso, menos lucros para as teles o que explica o lobby ferrenho dessas empresas para barrar a legislação.

Habilidoso e determinado, Eduardo Cunha montou uma imensa rede de contatos e apoios na Câmara (sempre com as piores companhias). Um alto integrante do governo já me disse em conversa reservada que “se precisar fazer reunião as 7h da manhã, ele está lá”.

Reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que Cunha driblou até mesmo os caciques do PMDB ao formar uma bancada particular:

“O executivo de uma grande empresa disse à Folha que este ano recebeu de Cunha pedido para fazer doações a um grupo de 20 a 30 candidatos a deputado, a maior parte do Rio, de Minas Gerais e do Nordeste”, disse a reportagem.

“Foi assim que o líder do PMDB montou ‘uma cadeia de agradecimentos'” no Congresso, segundo o jornal. São esses deputados os que podem eleger (e elegeram) Cunha. Estratégia digna de Frank Underwood, o ambicioso deputado americano retratado na série House of Cards.

Para quem acha que a falta de água em São Paulo e os apagões elétricos já indicam um ano desastroso, calma! No Congresso Nacional 2015 só começa dia 1 de fevereiro, com a posse dos novos deputados. Agora, sob nova direção.

*Mauricio Moraes é jornalista e foi candidato a deputado federal em São Paulo pelo PT

  • Julio Verner

    E ainda há quem ache que vão legalizar aborto e maconha numa selva de macacos.

    • Mas a vida dele não ficará tão fácil assim… o povo não pode é deixar de brigar!

  • Jean Cruz

    Marco Civil, é o maior cavalo de tróia da internet brasileira!

  • Robert Marley

    varios escandalos de corrupção e como conseguiu virar político ? Só no Brasil que vagabundo sem vergonha consegue se dar bem mesmo!