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Quando o Uruguai regulamentou a maconha, os cientistas do país viram uma oportunidade. Uma matéria da Science desta semana revela que biofísicos da Universidade do Uruguai, em Montevidéu, estão lançando um laboratório dedicado a química da maconha, genética, usos médicos, e seus efeitos colaterais. As informações são do Jornal do Brasil.

Em dezembro de 2013 o Uruguai se tornou o primeiro país a legalizar a produção, venda e uso da maconha, com a finalidade de afastar a criminalidade associada ao tráfico de drogas, além disso o Uruguai também se tornou o primeiro país a legalizar a venda e o uso para fins recreativos, o governo finalizou o regulamento chave no mês passado. Uma matéria da revista Science desta semana revela que biofísicos da Universidade do Uruguai, em Montevidéu, estão lançando um laboratório dedicado a química da maconha, genética, usos médicos, e seus efeitos colaterais.

Cientistas de países que a maconha ainda não foi legalizada dizem que o laboratório da Universidade do Uruguai está pronto para preencher lacunas de pesquisas gritantes. O primeiro lugar na lista de tarefas para o novo laboratório, financiado principalmente pelo novo instituto do Governo de Regulação e Controle da Cannabis, é fazer um banco de dados genético de cepas de maconha no país. O instituto vai importar e vender as sementes aos produtores licenciados, e os uruguaios poderão cultivar suas próprias plantas, até seis por agregado familiar, desde que registrem que estão cultivando. Tudo será estudado pelo laboratório.

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A matéria ressalta que isso permitirá que os pesquisadores comecem a caracterizar os constituintes químicos de cada estirpe, diz o neurocientista Atilio Falconi, outro membro fundador do laboratório, que conta hoje com 20 colaboradores. As cepas podem variar em conteúdo de tetrahidrocanabinol (THC), que é o principal componente, ativo da droga. As variações podem afetar a eficácia terapêutica. Rumores dizem que as plantas de maconha cheias de THC são melhores para aliviar o transtorno de estresse pós traumático, enquanto cepas ricas em canabidiol podem ser melhores para conter convulsões. “ Nosso interesse é saber se este conhecimento popular tem bases cientificas reais”, diz Falconi.

O laboratório planeja testar alegações da eficácia. Poucas estão bem fundamentadas; depois de rever estudos realizados desde de 1948, uma neurocientista de Nova Iorque concluiu que não há provas suficientes da eficácia da maconha apenas para esclerose múltipla. Dados preliminares e promissores para doença de Parkinson não se levantam em estudos complementares, e as outras condições são questões abertas. Também são escassos o uso recreativo.

A matéria é finalizada dizendo que agora que a maconha é legal no Uruguai, os uruguaios podem estar mais dispostos a relatar com mais precisão o uso para os pesquisadores. Adultos registrados no Instituto podem comprar até 40 gramas por mês, por meio de farmácias licenciadas. Eles também têm a opção de aderir a um clube de Cannabis que cresce e distribui maconha para seus membros. Embora as informações sobre o uso pessoal e a disponibilidade de cepas sejam úteis para ajudar o Governo manter o controle sobre o mercado da maconha, os pesquisadores prometem que o laboratório vai operar com rigor cientifico e independência acadêmica absoluta.

Foto de Capa: Mídia Ninja

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