Representantes do México, Uruguai e Canadá visitaram o Colorado para ver em primeira mão o mercado de maconha regulamentado. Funcionários do dos três países visitaram nesta quarta-feira uma estufa cheia de plantas de maconha etiquetadas com marcadores digitais, conheceram o sistema de vigilância em vídeo e a medição da produção da erva. O estado do Colorado se prepara para receber centenas de especialistas em política de drogas que defendem sua legalização na Conferência Internacional sobre Reforma de Políticas de Drogas, que vai até sábado. A legalização da maconha se tornou um assunto muito debatido depois que Colorado e Washington autorizaram o uso recreativo da erva para maiores de 21 anos.

A maconha começará a ser vendida no varejo no próximo ano. No Uruguai, a partir de agosto do ano que vem, a erva deve passar a ser vendida em farmácias. O consumo já não é crime no país e, no fim de julho, a regulamentação do comércio e do cultivo da erva foi aprovada por 50 votos a 49, na Câmara. O governo agora espera que o projeto seja aprovado pelo Senado em novembro. O Canadá deu início em setembro a um sistema de produção de maconha medicinal em larga escala, com o objetivo de permitir a formação de um livre mercado do produto. Até o fim de março do ano que vem, a droga resultante do atual cultivo doméstico ou de pequenas propriedades será substituída, de forma gradativa, pela originada em grandes plantios licenciados e com controle de qualidade.

Nos EUA, pela primeira vez na História, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira mostra que uma maioria expressiva dos americanos apoia a legalização da erva: 58%, ou quase seis em cada dez cidadãos americanos, segundo levantamento do Instituto Gallup. O índice é dez pontos percentuais mais alto que o registrado em 2011 e oito pontos acima da pesquisa de 2012. Quando o levantamento foi feito pela primeira vez, em 1969, apenas 12% dos americanos apoiavam a legalização.

Os números revelam que boa parte do apoio vem de eleitores independentes – cerca de 62%. Mas, nota-se que a defesa da legalização é superior em todas as faixas etárias até os 64 anos. Somente aqueles com mais de 65 foram em sua maioria contrários à medida. Quando se observa a faixa etária entre 18 e 29 anos, o apoio chega a dois terços dos entrevistados.

A questão é polêmica. Embora a Casa Branca alegue que a legalização tem de ser feita sob lei federal, algumas brechas, como as de Washington e Colorado, foram abertas. Ambos os estados aprovaram o uso recreativo da erva em referendos, mesmo arriscando desafiar o Departamento de Justiça e o presidente Barack Obama. Até agora, porém, não houve qualquer sinal de contestação do Supremo americano contra o resultado desses referendos estaduais.

Via, Yahoo / O Globo