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“Nossa revolução não será televisionada”. Esse foi um dos maiores pensamentos levados nas manifestações em todo o país e omitido pelas mídias oficiais de mercado, principalmente em seu principal canal, a TV. Mas as redes, rádios e tvs sociais dão de dez a zero em qualquer uma dessas mídias ultrapassadas, que nem são mais vistas pelas novas gerações, e fizeram a verdadeira transmissão, tudo em tempo real.

O significado de revolução é amplo, libertário, transformador, radicalmente democrático, mas também pode ser manipulado. Por isso, precisamos ter cuidado com as infiltrações dentro da multidão. No Brasil, a palavra revolução foi usada, pela mesma mídia marqueteira de hoje, como propaganda e sinônimo do golpe militar, civil e imperialista de 1964, que instaurou a ditadura, a tortura, a morte e o desaparecimento como política de Estado que durou décadas no Brasil.

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A legalização da maconha é revolucionária e, no Brasil, muito mais, já que sua criminalização possui as mesmas raízes racistas escravocratas que perseguiram também o jongo, a capoeira, o samba, o candomblé, enfim toda a cultura negra no Brasil.

A violenta polícia que atacou a juventude no país inteiro é a mesma que mata nas favelas e arrocha os maconheiros em abordagens extremamente agressivas, tudo com a cobertura do sistema penal brasileiro.

O projeto de lei das internações compulsórias, que visa criar o lucrativo negócio das “comunidades terapêuticas acolhedoras” com poder de internar involuntariamente qualquer pessoa, apenas com a decisão de um médico, não estava na pauta de reivindicações da multidão que tomou as ruas do país. Ninguém foi às ruas pedir para internar os maconheiros.

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Nossa luta é pela legalização de uma flor, que sequer precisa passar pelo mercado capitalista, já que o próprio consumidor poderá plantar para o seu próprio consumo. Revolucionários maconheiros, vamos tomar as ruas a fim de impedir o retrocesso desse Projeto de Lei da Câmara nº 37, que está no Senado. Esta proposta consiste numa verdadeira afronta à luta da multidão e jamais esteve na pauta desse maravilhoso movimento que toma as avenidas do Brasil.

ANDRÉ BARROS, advogado da Marcha da Maconha

 

 

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