Uma analise feita em uma variedade de comestíveis de maconha apontou que apenas 17% dos rótulos traziam com precisão os níveis de THC. As informações são da Folha de S.Paulo

Uma análise de 75 produtos comestíveis de maconha, vendidos a pacientes de Seattle, San Francisco e Los Angeles, apontou que apenas 17% dos rótulos descreviam com precisão os níveis de THC, o principal ingrediente psicoativo da droga.

No estudo, 60% dos produtos tinham menos THC do que as embalagens advertiam e 23% tinham quantidades maiores da substância.

“Precisamos saber com mais acurácia o que está sendo oferecido aos pacientes”, afirma Donald Abrams, chefe de hematologia e oncologia do Hospital Geral de San Francisco que não participou do estudo, publicado na revista científica “Jama”, da Associação Médica Americana.

“O que temos hoje é uma indústria de maconha medicinal não regulamentada, devido aos conflitos entre as leis estaduais e federais”, diz.

Os rótulos imprecisos dificultam o consumo de maconha para fins medicinais. Produtos com muito pouco THC podem não trazer o alívio de sintomas em casos de doenças como dor crônica, enquanto os que têm muito THC podem trazer efeitos exagerados para os pacientes.

Alguns dos pacientes idosos com câncer de Abrams tentaram ingerir os produtos comestíveis porque não querem fumar o cigarro de maconha. Alguns deles, porém, ingeriram muito THC e tiveram resultados desagradáveis, como ansiedade severa.

A ANÁLISE

No novo estudo, doces, bebidas e produtos de padaria, como bolos, com maconha de 47 marcas foram testadas pelo laboratório Werch Shop na Califórnia e no Estado de Washington. A Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins pagou pela pesquisa, com exceção da análise.

Algumas discrepâncias chamam a atenção. Um dos produtos tinha apenas 3 miligramas de THC apesar de o rótulo indicar 108 miligramas. Os autores do estudo, porém, se recusaram a citar os nomes das fabricantes, para evitar processos judiciais.

“O objetivo não é dizer ‘Ei, empresa de maconha medicinal X, vocês são péssimos’. A questão é que não há garantia de qualidade desses produtos como existe para outros medicamentos.”

A análise também encontrou diferenças geográficas. A chance de comer um produto de maconha medicinal com mais THC do que o rótulo indica é maior em Los Angeles. Em Seattle é o inverso.

O pesquisadores testaram ainda os produtos quanto aos níveis de CBD (canabidiol), ingrediente da maconha que não é psicoativo e usado para tratar epilepsia grave em crianças. Quarenta e quatro deles tinham níveis detectáveis de CBD, ainda que só 13 deles indicassem sua presença. Nove tinham menos CBD do que o indicado no rótulo e quatro tinham mais.

Apesar de 23 Estados e Washington D.C. terem programas de maconha medicinal, o governo federal não reconhece a maconha como medicamento e considera a droga ilegal. “Quando isso mudar, veremos a indústria se apressar para padronizar a dosagem”, afirma Abrams.