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O Comitê Organizador da Copa da Rússia anunciou que torcedores poderão levar ao país, durante o evento, uma série de substâncias psicotrópicas. Desde que respeitem as exigências legais. Codeína, morfina, anfetaminas, maconha e até cocaína estão entre as centenas de drogas autorizadas.

Isso porque a Rússia terá de seguir condições impostas pela Comissão Econômica Euroasiática em 2015 para a importação e exportação de tais substâncias.

Segundo o jornal russo “Izvestia”, torcedores deverão apresentar atestados médicos, em russo ou em inglês, provando que estão trazendo as drogas apenas para uso medicinal. Policiais irão avaliar a autenticidade do documento e, caso
tudo esteja em ordem, fãs poderão inclusive entrar nos estádios portando as substâncias, afirma o jornal.

Pelas regras da Fifa, porém, há uma quantidade máxima a ser respeitada: tanto russos quanto estrangeiros poderão entrar nos estádios com até sete medicamentos, desde que não estejam levando mais de uma embalagem de cada um. Quem precisar entrar com uma quantidade maior também precisará de prescrições provando essa necessidade. Fumar maconha nos estádios é proibido pela lei russa, mas, no caso da Copa, a substância está liberada em outras formar medicinais, como gotas. Se o torcedor apresentar a tal receita médica, claro.

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Curiosa é a inclusão da cocaína na lista. Enquanto derivados do ópio como morfina e codeína são amplamente utilizados principalmente no tratamento de dores, e o uso medicinal da maconha já é uma realidade em diversos países, é difícil
entender em qual situação um torcedor poderia entrar legalmente na Rússia com a droga.

“Que eu saiba não existe uso medicinal da cocaína”, diz Juares Costa, psiquiatra e doutor em psicologia pela PUC de Campinas (SP). Ele lembra que há tempos a substância não é prescrita por médicos. Acontecia principalmente até a primeira metade do século passado, mas hoje não há relatos significativos sobre sua utilização.

“O primeiro uso dela foi anestésico. Mas hoje não conheço um medicamento que usa cocaína em sua composição”, diz o psiquiatra. “A cetamina, por exemplo, é um anestésico de animais que hoje também é usado no tratamento da esquizofrenia. Mas isso é algo diferente.”

Especialistas russos divergem sobre liberação
De acordo com a reportagem do “Izvestia”, o narcologista do Ministério da Saúde russo Yevgeny Bryun não gostou muito das permissões. Ele disse ao jornal que “não vê risco de revenda” das substâncias no país, mas considera a prescrição
médica de maconha “propaganda para a legalização de drogas”. “Estou chocado”, afirmou.

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Outro entrevistado do “Izvestia”, o pesquisador da Academia Russa de Ciências Mikhail Paltsev, acredita que “é perigoso deixar pessoas com essas drogas nos estádios, porque elas podem ficar nervosas e tomar uma quantidade maior do medicamento que a necessária, como sedativo”.

Outra preocupação de Paltsev é com a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
“Se o torcedor tomar o medicamento e também ingerir álcool, poderemos ter consequências negativas.”

Já o diretor do Instituto de Saúde e Gestão Médica, David Melik­Huseynov, acredita que isso não será exatamente um problema, porque a maioria dos medicamentos segue um cronograma médico. Ele também destacou o fato de que muitos deles são usados contra a dor, e que barrá­los caracterizaria uma “violação dos direitos dos pacientes”.

Ainda segundo o “Izvestia”, médicos russos fluentes em inglês estarão de prontidão em todos os estádios da Copa do Mundo.

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