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O 420 caiu na moda e vira assunto até nas rodinhas mais caretas.

A simbologia do 420 com diversas origens ganha cada vez mais significado na luta canábica, como o dia 20 de abril (4/20) que serve para lembrar e alertar a sociedade sobre a discussão de uma nova política acerca da maconha, no Brasil e no mundo.

Em São Paulo, a Semana Pela Legalização da Maconha já teve início neste sábado e no Rio de Janeiro o ato, com maior duração do ativismo canábico nacional, começou às 4:20 da manhã com o cultivo de folhas de maconha nas areias de Copacabana e um Fumato agendado para às 4:20 da tarde encerra a manifestação em frente ao Copacabana Palace. Mas afinal, por que se reunir a essa hora e por que o número 420 se tornou um símbolo da maconha? Confira as informações reunidas pela BBC sobre como o 420 se tornou o número símbolo da maconha.

O encontro no 20 de abril (que em inglês é escrito na forma 4/20, em função do mês 4 e do dia 20) ocorre há varios anos. Já a origem do 420 remete ao ano de 1971, quando passou a ser usado como uma senha por estudantes de ensino médio de San Rafael, no estado americano da Califórnia.

No outono daquele ano, cinco adolescentes encontraram um mapa desenhado a mão que supostamente mostrava a localização de uma plantação de maconha em Point Reyes, próximo a San Francisco.

Eles resolveram encontrar o “tesouro” e marcaram de se reunir para a expedição as 4h20 da tarde. Nunca encontraram a plantação, mas a hora do encontro não seria mais esquecida.

“A gente fumava muita maconha naquela época”, contou à BBC Dave Reddix, um membro do grupo que tinha até nome, os Waldo. Reddix, que na época tinha o codinome de Waldo Dave, hoje tem 59 anos e trabalha como cineasta.

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“Metade de nossa diversão era encontrar a maconha”, conta.

‘Deadheads’

A confraria passou a usar o número 420 para seus membros da confraria para rodas de maconha. Logo a senha começou a se espalhar entre os amigos, os agregados, os conhecidos, entre eles os integrantes de uma banda de rock californiana, os Grateful Dead.

Rapidamente, o 420 passou a fazer parte do vocabulário dos “deadheads”, como eram chamados os fãs do Grateful Dead.

Em 1990, o termo e a explicação foram impressos em um folheto da banda. Foi assim que o código foi descoberto por Steve Bloom, editor da revista High Times, uma das primeiras publicações sobre a maconha nos Estados Unidos.

A equipe da High Times entrou na onda e passou a fazer suas reuniões de pauta às 4h20 da tarde.

Disputa

Anos depois, o termou deu nome a outra publicação especializada em maconha, a 420 Magazine. A disputa sobre como o 420 teve origem começou com uma reportagem da revista, segundo a qual um outro grupo de amigos, rival dos Waldo, tinha inventado a história.

Os Waldo reagiram e publicaram cartas e mostraram objetos para “provar” que foram eles os inventores do termo. Desde então, defendem com veemência a sua versão.

“Somos os únicos a mostrar provas”, diz Steve Capper, também chamado de Waldo Steve.

Legalização

Segundo Bloom, editor da High Times, o termo virou uma um código semiprivado, que os usuários de maconha vão encontrar por todos os lados. O número aparece até no filme Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, no relógio de um dos personagens.

Primeiro estado americano a legalizar a maconha, o Colorado também se viu às voltas com o número. Recentemente, uma placa que indicava a extensão de 420 milhas da rodovia interestadual 70 foi furtada. As autoridades resolveram se antecipar ao problema e mudaram a nova placa, que agora indica que a rodovia tem 419,99 milhas.

Em Denver, capital do estado, se espera uma grande festa neste domingo, já que este será o primeiro ato 420 desde que o Colorado legalizou a droga, uma política que ganha força nas Américas e na Europa.

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O Uruguai aprovou recentemente a legalização da maconha, que será produzida e vendida pelo próprio governo. A discussão também ganha força no Brasil, tendo como mais célebre defensor o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que defende a descriminalização – já em curso na Argentina e no Uruguai.

Em São Paulo, o tema da semana, que vai culminar com a Marcha da Maconha no sábado, dia 26, é “Cultive a liberdade para não colher a guerra”. A campanha ganhou apoio de artistas como o cantor Marcelo D2 e o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, fundador do Teatro Oficina.

No Rio de Janeiro, um ato que começou às 4:20 da manhã semeou réplicas de folhas de maconha na orla de Copacabana que ficaram cultivadas até o fim da manifestação às 16:20, quando ocorrerá um Fumato Medicinal. A manifestação carioca chama atenção para que a ANVISA retire a maconha da lista de substâncias proibidas devido a demanda urgente do uso medicinal.

Os defensores da legalização argumentam que a chamada “guerra contra as drogas” não conseguiu acabar nem diminuir o consumo da maconha, só fazendo aumentar a violência devido a ação de grupos de narcotraficantes, sobretudo na América Latina, um dos centros produtores. Os defensores também ressaltam os efeitos positivos da droga quando usada para fins medicinais.

A política da “guerra contra as drogas” ganhou força nos anos 1980, durante o governo do presidente americano Ronald Reagan. A cada ano, millhares de pessoas morrem na América Latina vítimas da violência derivada do narcotráfico. Os países da região lideram a lista das nações com mais alto índice de homicídios no mundo, segundo relatório recente divulgado pela ONU.

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