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Educação não contribui para ascensão no comércio de drogas; experiência e lealdade fazem renda aumentar

Adolescentes dizem que desejo de consumo de roupas, eletrônicos e drogas contribuiu para entrada no tráfico

A educação, indispensável para conseguir uma colocação no mercado de trabalho formal, não tem valor para as carreiras no tráfico de drogas.

Leia – Triplica parcela de jovens internados por tráfico

A descoberta foi feita pelos acadêmicos Leandro Carvalho (University of Southern California) e Rodrigo Soares (FGV-SP), que divulgaram recentemente um estudo sobre o caminho dos jovens no tráfico nas favelas cariocas.

“Era de se esperar que jovens com melhor nível educacional tivessem maior facilidade de ascender no tráfico por conseguir fazer contas e até pela capacidade de liderar”, diz Soares.

Mas os fatores que contam para crescer no mercado de drogas ilegais são: experiência, participação em conflitos armados e lealdade. Segundo o estudo, cada ano a mais de trabalho leva a uma remuneração 10% maior para os jovens traficantes.

Os dados analisados por Carvalho e Soares foram levantados pela ONG Observatório de Favelas em meados da década passada.

Segundo os economistas, naquele momento, o ganho dos jovens traficantes era em média 23% maior do que o salário de outros adolescentes moradores de favelas e empregados em atividades lícitas.

CONSUMO

Quatro jovens internados na Fundação Casa (SP) citam o desejo de comprar bens, como roupas e aparelhos eletrônicos, como principal motivação para entrar no tráfico.

“Quero ver chegar lá num baile de chinelo e de bermuda e catar alguém. Se tiver mais elegante, com umas roupas da hora, é mais fácil”, diz F., 15.

G., 15, afirma que os ganhos do tráfico (R$ 600 por mês) também ajudavam a sustentar seu vício em maconha.

Eutácio Borges, presidente da fundação de atendimento socioeducativo de Pernambuco, diz que jovens infratores não percebem que a vantagem do tráfico não compensa.

“Um bom carpinteiro em Pernambuco tira até R$ 2.800 por mês, sem correr o risco de enfrentar o adversário traficante ou ir para uma unidade de internação.”

Enfrentamentos violentos fazem parte da rotina dos adolescentes no tráfico.

T., 18, chegou a ser apreendido por agressão. “Uma vez discuti com um cara que não pagou. Rachei o pote dele [a cabeça] com pedra e pau.”

O jovem conta que foi apreendido oito vezes, quatro ou cinco delas por tráfico. Apenas na última foi internado.

A história contrasta com a de G., que conta ter sido internado na segunda apreensão por vender drogas.

O Superior Tribunal de Justiça determinou que menores sejam internados por tráfico apenas na terceira apreensão.

Mas, segundo representantes das unidades socioeducativas, há juízes que têm sido mais rigorosos, contribuindo para o aumento das internações por tráfico.

Por ÉRICA FRAGA E AFONSO BENITES
Via Cotidiano / Folha de S. Paulo

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