Antes de você começar a leitura, duas máximas merecem ser lembradas ao PROERD: “A informação é a arma conta a ignorância” e  “Quando a emenda é pior que o soneto”.

A informação é a arma contra a ignorância, mas quando os ignorantes a utilizam de forma errada o tiro pode sair pela culatra. Foi o que aconteceu com a mais recente (já deletada) publicação na página do Proerd que anunciava, como troféu e justificativa de sua ‘luta proibicionista’, a notícia de que 37 morreram por causa da bruxa má chamada maconha. Pena, Sorte que era mentira, pois maconha não mata e nunca matou.

A onda da legalização da erva pelo mundo está deixando alguns proibicionistas de cabelos em pé. Como se sabe, além dos diversos estados norte-americanos, Uruguai e outros países estão flexibilizando as leis acerca da ganja, ocorrendo inclusive a sua regulamentação para fins recreativos. Mas, segundo notícia publicada num site do Governo de Goiás, logo no primeiro dia de legalização a ‘danada’ matou 37 pessoas de overdose no Colorado.

Sim, foi isso mesmo, e ao que parece esses são os primeiros e únicos 37 casos de overdose da erva na história da humanidade, garantindo o mico do ano para o Programa Educacional de Resistência às Drogas do Estado de Goiás.

A notícia falaciosa, com um tom de humor, estava publicada desde 13 de janeiro deste ano no site do PROERD que, em vez de informar seriamente a respeito das drogas, caiu na pegadinha do site gringo especializado em trollagens, o Daily Currant.

De médico pirata a traficante de Breaking Bad

Gostando ou não, a verdade sempre prevalece e com essa notícia, que nos garantiu diversas risadas, fica notável a falta de preparo do ‘programa’ governamental contra as drogas. É ainda mais admirável ver, diante disso tudo, que o ativismo, os portais de notícias canábicas e outros meios antiproibicionistas acabam prestando com muito mais qualidade, zelo e comprometimento, serviços de informação tanto aos usuários quanto aos não usuários de drogas.

No auge da piada, os agentes do Proerd não notaram, na sátira, algumas participações especiais, como a do médico e pirata Dr. Jack Sparrow, com a sua declaração:

“Está um completo caos aqui”, diz o Dr. Jack Sparrow, chefe de cirurgia do Centro Médico São Lucas, em Denver. “Eu coloquei cinco estudantes universitários em sacos para corpos desde o inicio da tarde e mais estão chegando a cada minuto.”

“Estamos vendo paradas cardíacas e várias falhas de órgãos. Até a próxima semana, o número de mortos pode chegar a 200, talvez 300. Alguém precisa intervir e parar com essa loucura. Meu Deus, por que legalizar a maconha? O que estávamos pensando?”

Dr. Jack não era o único famoso na postagem, ao lado dele o famoso Jesse Pinkman, o ex-traficante de Breaking Bad que tentou estabelecer um dispensário de maconha legal, na ocasião, também ilustra a publicação:

Uma das vítimas, de 29 anos de idade, é Jesse Pinkman Bruce, ex-traficante de metanfetamina de Albuquerque que recentemente se mudou para Boulder para estabelecer um dispensário de maconha legal.

Pinkman estava festejando com amigos quando sofreu vários ataques e um ataque cardíaco fulminante que finalmente provou ser fatal. Relatórios toxicológicos revelaram que a maconha era a única droga presente em seu sistema.

O Proerd não trata com tanta seriedade e compromisso assim o assunto, como diz, pois não custaria nada ter analisado a matéria antes de reproduzi-la. Uma piada com qualidade de maconha prensada, sendo propagada como realidade é triste de ver, ainda mais vindo de um site oficial de um órgão do governo que se propõe a educar e reduzir os danos sobre as drogas.

A publicação foi retirada do ar após virar piada nas redes sociais, mas o print e o webcache da página não negam o erro. Agora fica a questão, será que além da publicação na internet também não foram rodados milhares de impressos e, quem sabe, não esteja sendo utilizada como argumento dos seus agentes a tal falácia?

Proerd mico

Retratação – “Quando a emenda é pior que o soneto”. 

Finalizando a piada, o Programa Educacional de Resistência às Drogas publicou (31/07) uma retratação sobre a matéria ‘hoax’ que era veiculada em sua página, que nos fez buscar em nossas mentes esfumaçadas a máxima “quando a emenda sai pior que o soneto”.

Segundo a coordenação estadual do Proerd – Goiás, a publicação não foi elaborada ou postada pela Polícia Militar do Estado e que a maioria das matérias é confeccionada ‘em loco’ (sic), com fotos e entrevistas, contendo as fontes de quem as elaborou e, por fim, a coordenação ainda tenta direcionar a responsabilidade da “brincadeira”, que foi pega como verdade, a ato de algum hacker.

No melhor estilo João Kleber gritamos… PARA, PARA, PARA…

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Essa retratação, também, é uma zoeira sem fim!

Explicando um pouco melhor, o porquê de pegarmos no ‘pé’ do Proerd, a publicação original dificilmente teria sido postada por um hacker, até mesmo por acreditar que se fosse tal ação todo o site teria sido alterado e não uma única postagem, que encontrava-se publicada desde 13 de janeiro deste ano. O segundo ponto entra na data da publicação, pois se tal ato fosse realmente fruto de uma invasão hacker, por que então a coordenação aguardou até o momento do erro se tornar público para tomar ciência da mesma e removê-la, estranho não?! Será que o erro não era erro até ser notado, por coletivos e mídias antiproibicionistas?

Vale lembrar ao nosso leitor que tal publicação satírica foi veiculada, em dois de janeiro deste ano, pelo portal “The Daily Currant” – que realiza trollagens virtuais – e que entre um suposto ataque hacker, identificado MESES DEPOIS, e um suposto aproveitamento de uma ‘bomba’ (se fosse realidade) para justificar a proibição e demonização de uma planta, ficamos com a segunda hipótese.

Mesmo depois dessa retratação vemos que é mais simples direcionar a culpa do problema a um hacker, como é feito com as drogas (pois para o proibicionismo, o problema sempre é o usuário e não as leis que regem uma guerra falida), do que assumir o erro, logo a emenda (retração) acabou saindo pior que o soneto (replicar uma postagem hoax).

Confira abaixo a nota da Coordenadoria do Proerd Goiás veiculada em seu site:

Informamos que referente a uma matéria postada em nosso site, sobre a legalização da maconha nos Estados Unidos mais precisamente no Estado do Colorado se trata de uma matéria “Fake”.

Sendo assim afirmamos que tal matéria não foi elaborada ou postada pela Polícia Militar do Estado de Goiás ou tão pouco pelo PROERD. A maioria de nossas matérias é confeccionada em loco, com fotos e entrevistas, sempre contento as fontes de quem as elaborou.

Não obstante, o cunho de todas nossas matérias é voltado à prevenção primária, como apregoa a filosofia e a doutrina do PROERD, jamais fazendo alusão ao uso ou a legalização de qualquer tipo de droga, seja lícita ou ilícita.

Por fim, ainda referente à citada matéria, basta observar os nomes das “autoridades” mencionadas como por exemplo “Jack Sparrow e Jesse Pinkman”, nomes tirados de personagens de filmes e seriados de televisão, para comprovar que se trata de uma brincadeira de mau gosto feita por algum hacker.

Atenciosamente,
Coordenação Estadual do Proerd Goiás

Como rir é o melhor remédio, aperte e ria à vontade com uma coreografia marota da “Poícia” (sic) Militar de Santa Catarina contra as drogas.

Proerd é o programa, Proerd é a solução… só que não!