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À revelia da Justiça, associação do Rio fornece óleo de maconha a pacientes

À revelia da Justiça, associação do Rio fornece óleo de maconha a pacientes foi matéria da Folha desta semana. Uma associação de pacientes do Rio de Janeiro está fornecendo óleo de maconha medicinal para um grupo de pessoas mesmo sem autorização judicial para isso. Chama a prática de “desobediência civil pacífica” e já a declarou, inclusive, para a Justiça. A Matéria foi escrita originalmente por Cláudia Collucci.

Presidida pela advogada Margarete Brito, a Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal) ensina famílias a cultivar a maconha, faz a ponte entre médicos e pacientes e tem parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em eventos e pesquisas sobre o tema.

Margarete é mãe de Sofia, 10, que tem uma síndrome rara (CDKL5). Ela foi a primeira do país a obter aval da Justiça para cultivar Cannabis em casa e dela extrair o remédio para aliviar as convulsões da filha.

Isso foi em 2017. A história inspirou outras pessoas com problemas de saúde, que hoje são associadas da Apepi.

Agora, Margarete decidiu extrapolar o seu habeas corpus individual e passou a produzir óleo de Cannabis para 18 pacientes de famílias de baixa renda, que não têm condições de importar o produto.

Seu advogado, Fernando Lau, ingressou com ação na Justiça Federal pedindo uma liminar que autorize a associação a plantar e a produzir legalmente o óleo para os pacientes associados —da mesma forma como ocorre com outra associação de pacientes em João Pessoa (PB).

“Na ação judicial, informei o juiz que a gente já planta para os associados. Eu disse: ‘a gente entende isso não como um crime, mas, sim, uma desobediência civil pacífica em razão do estado de necessidade dessas pessoas, que estão em busca do direito à vida, a garantia maior constitucional.”

Para o advogado, o juiz está numa porta sem saída. “Ou ele prende todo mundo por tráfico ou associação ao tráfico ou ele… São vidas salvando vidas. Ou são pais cuidando de filhos ou filhos cuidando de pais. Não é brincadeira de garoto. É um negócio sério.”

O plantio acontece no quintal da casa de Margarete, na Urca, na zona sul do Rio. As plantas, de quatro tipos diferentes, que produzem CBD (que não dá barato) e THC (que tem efeito psicoativo).

Mesmo ciente que corre riscos com a “desobediência civil pacífica”, a advogada diz que continuará plantando e fornecendo o óleo para os pacientes com ou sem autorização da Justiça. “Sabemos que não estamos acima do bem e do mal, mas vamos seguir com esse trabalho de resistência.”

A ação segue em segredo de Justiça, e o magistrado aguarda mais informações da União e da Anvisa sobre o assunto.

Na última quinta (26), a comissão de direitos humanos do Senado aprovou relatório favorável a uma proposta que regulamenta a Cannabis medicinal no Brasil, que agora passa a tramitar como um projeto de lei, seguindo para comissões de assuntos sociais e de constituição e justiça, antes de ser votada em plenário.

Marcos Langenbach, marido de Margarete e vice-coordenador da Apepi, diz que a demanda pelo óleo de Cannabis é enorme. Entre os pacientes, há desde as crianças e adolescentes com epilepsia e autismo até idosos com Alzheimer e Parkinson. Só têm acesso se tiverem receita médica.

“Tem que ter um médico acompanhando. No CBD não tem contraindicação, mas há casos em que ele não funciona completamente e precisa usar um pouquinho de THC, que tem algumas contraindicações. Por isso é importante médico, pesquisa, para saber o que é melhor para cada doença, cada paciente”, diz ele.

Apesar dos avanços de estudos sobre o uso medicinal da maconha, ainda faltam evidências científicas mais robustas que atestem a eficácia e a segurança dos tratamentos, segundo revisões sistemáticas da Cochrane, rede de cientistas independentes que investiga a efetividade de terapia.

Na Apepi, mais de 300 pessoas já aprenderam sobre cultivo da maconha medicinal. A associação também ministra cursos voltados a médicos sobre a prescrição da Cannabis.

Margarete diz lamentar a polêmica que envolve hoje a proposta de regulação do plantio da maconha medicinal pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que corre o risco de não sair por pressões do Planalto.

“É muito triste. Continuará deixando grande parte dos pacientes na ilegalidade”, diz ela.

O cultivo doméstico de maconha para fins medicinais é uma realidade no país, praticado clandestinamente por grupos de pais e pelos chamados cultivadores, que plantam, fazem o óleo e vendem.

As informações sobre cultivo e formas de fabricação do óleo são trocadas por meio de redes sociais ou em cursos dados por associações de pacientes, conforme a Folha apurou.

“Há mães de família da periferia que plantam para os seus filhos e correm riscos sérios de intervenção da polícia. É diferente das mães de bairros de classe média, que têm atenuantes. As mães da periferia não têm esse cobertor”, afirma Julio Américo, presidente da Liga Canábica, de João Pessoa.

Segundo ele, essas mães pobres não têm como arcar com os custos dos produtos importados à base de canabinoides, no mínimo R$ 1.200 mensais, e são empurradas para a marginalidade, comprando flores de maconha do tráfico para fabricar o óleo em casa.

“São pessoas de bem que podem ser enquadradas. Se não houver autorização de plantio, elas vão continuar plantando porque a escolha sempre será a vida do filho, que melhora muito [com o uso dos óleos de Cannabis].”

Segundo Sheila Geriz, uma das fundadoras da Liga, existe uma rede de cultivadores, pessoas que plantam Cannabis para uso próprio (recreativo ou medicinal) e repassam o excedente, a preço de custo, para os pacientes. Por meio de grupos de pacientes pelo país, a Folha localizou sete deles, mas eles não quiseram falar com a reportagem.

Sheila diz que recorre a um desses cultivadores para obter óleo de THC para ela, que sofre de artrite reumatoide, e para o filho, Pedro, 9, que tem epilepsia refratária. Ela tem autorização judicial para importar o CBD para o filho, mas não o THC.

“Estava de cama, sem me mexer de tanta dor. Com ambos, hoje faço de tudo. Pedro também melhorou muito com a associação do CBD com o THC. Não dá para demonizá-lo.”

A Cannabis produz mais de 80 tipos de canabinoides. Os que têm propriedades medicinas mais conhecidas são o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol)
Cânhamo (em inglês hemp)
É uma planta alta e esguia, com poucas ramificações laterais. Tem alto teor de CBD, sem efeito psicoativo, e no máximo 0,3% THC, a substância que causa efeitos psicoativo. O caule e suas fibras são usadas na produção de papel, tecidos, cordas, entre outros. Nos EUA e no Canadá, o óleo de cânhamo é considerado um suplemento alimentar

Maconha
Tem baixa estatura, mais encorpada e com muitas flores —a parte da planta que apresenta níveis bastante elevados de THC. O caule e as fibras não são utilizados. Para maximizar os níveis de THC, ela é comumente cultivada em um ambiente fechado para que as condições como luz, temperatura e umidade possam ser controladas de perto

CBD

Crises epiléticas/convulsões
Autismo
Inflamações
Efeitos neuroprotetores
THC

Dor crônica
Espasticidade muscular
Náusea induzida por quimioterapia
Inflamações
* O CFM (Conselho Federal de Medicina) recomenda a prescrição apenas em casos de epilepsia grave, refratária a tratamentos convencionais. Fontes: Campanha Repense, associações de pacientes, estudos publicados

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Argentina agiliza produção estatal de maconha para fins medicinais

Jujuy, uma província que faz fronteira com a Bolívia, de pouco mais de 700.000 habitantes, será a primeira da Argentina a cultivar sem restrições legais maconha para uso medicinal. O Governo local conseguiu a autorização nacional para importar sementes e iniciar testes piloto em uma fazenda de propriedade pública, passo anterior à elaboração e distribuição do óleo da cannabis. Para isso criou a empresa pública Cannabis Avatãra, a primeira de seu tipo no país. Outra empresa, mas privada, a norte-americana Green Leaf International, subsidiária da Player Networks, colocará a experiência e 100% do dinheiro necessário para financiar o projeto. As informações são do El País.

Argentina embarca na produção estatal de maconha para uso medicinal e associação vai à Justiça por direito de produzir maconha para tratar pacientes com câncer e microcefalia
Argentina embarca na produção estatal de maconha para uso medicinal Fabricante do Marlboro entra no mercado da maconha

O Congresso argentino aprovou em março de 2017 uma lei que autoriza o uso medicinal da maconha. Limitou as permissões ao tratamento da epilepsia refratária e como, ao mesmo tempo, manteve a proibição do cultivo próprio, habilitou sua importação até o Estado reunir condições de produzi-lo. Como o Estado não pareceu muito interessado em avançar na produção nacional do óleo, os pacientes ainda devem pagar 400 dólares (1.490 reais) por uma garrafa de 100 mililitros de óleo, suficientes, no melhor dos casos, para um mês de tratamento. O valor supera em quase 90 dólares (330 reais) o salário mínimo de um argentino e força os pacientes a cultivar por conta própria, correndo o risco de ser condenados a até 15 anos de prisão, e recorrer ao mercado clandestino. Lá, o preço baixa para até 40 dólares (150 reais), mas por um medicamente sem controle algum e eficiência imprevisível.

O Governo de Jujuy prometeu que com a Cannabis Avatãra cumprirá o capítulo da lei que habilita a produção nacional de óleo de cannabis. “A ideia é que o Estado seja um fornecedor seguro”, diz Gastón Morales, presidente da empresa pública e filho do governador da província, o governista Gerardo Morales. A previsão é produzir 300.000 litros de óleo em cinco anos, suficientes para abastecer o mercado local e exportar os excedentes.

“Qualquer avanço é bom, porque hoje todas as mães vão ao mercado clandestino ou precisam cultivar”, diz María Elena Vildoza, da Cannabis Medicinal Jujuy. María Elena é a mãe de Gael, um garoto de quatro anos que sofre de epilepsia refratária. “Quando não pudemos comprar maconha por seu preço, deixamos de dar a ele a dose durante um tempo. Gael então voltou a convulsionar, começou a se isolar e parou de se alimentar. Com o óleo voltou novamente à vida”, diz.

O projeto de Jujuy teve todo o apoio do governo de Mauricio Macri, fundamental para a aprovação das autoridades de saúde e permissões fiscais. Nessa semana, o ministério de Segurança deu o sinal verde ao uso de até 15 hectares da fazenda El Pongo, de propriedade pública, onde serão plantadas as primeiras sementes antes da experiência em grande escala. “Em duas ou três semanas chegarão as primeiras sementes e em setembro já poderemos passar da etapa piloto à industrial”, diz Morales. Depois se iniciarão a produção do óleo e os trâmites na Anmat, o órgão que deve aprovar sua venda como medicamento.

As mães da Cannabis Medicinal Jujuy estão a par do projeto desde o começo. Receberam a promessa de que receberão o óleo de graça. “Por enquanto são projetos, será preciso ver o que ocorrerá factualmente”, diz Vildoza. “Sabemos que será cultivada, mas não sabemos quais sementes irão trazer, quantas foram autorizadas. As mães que cultivam sabem qual planta seus filhos precisam, eu quero o óleo para meu filho, é a única coisa que me interessa”, afirma.

María Laura Alasi é mãe de Josefina, uma garotinha de seis anos que na pior etapa da doença chegou a ter 600 espasmos por dia. “Ela tomava seis anticonvulsivos por dia e agora só toma um e o óleo. Seus espasmos se reduziram a 20 por semana”, diz. Seu caso é conhecido porque Alasi foi a primeira argentina a conseguir a autorização para importar o óleo. Hoje lamenta que o Estado nacional não tenha se encarregado da produção nacional do medicamento e não permita o cultivo próprio. Mora em Buenos Aires, mas acompanha o projeto em Jujuy. “Por ser um projeto de capitais privados será um negócio e acabará funcionando, mas o risco é que o óleo não chegue às pessoas de baixa renda”, diz. Morales afirma que os benefícios serão enormes. “É uma questão de saúde pública”, acrescenta, “porque a força terapêutica da planta de cannabis está provada”.

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Tailândia aprova uso medicinal de maconha e pesquisas relacionadas

A Tailândia aprovou a maconha para uso medicinal e para pesquisa no natal, terça-feira (25), a primeira legalização da droga em uma região com algumas das leis mais rígidas do mundo em relação a entorpecentes. As informações são da agência de notícias Reuters.

O parlamento nomeado pela junta na Tailândia, país que até a década de 1930 tinha tradição de usar maconha para aliviar a dor e a fadiga, votou a emenda no Ato Narcótico de 1979 em uma sessão extra que fez parte de uma corrida para aprovar leis antes do feriado de Ano Novo.

“Este é um presente de Ano Novo da Assembleia Legislativa Nacional para o governo e o povo tailandês”, disse Somchai Sawangkarn, presidente do comitê de redação, na sessão parlamentar televisionada.

Enquanto países de outros continentes, como a Colômbia e o Canadá, legalizaram a maconha para uso médico ou recreativo, a droga continua sendo ilegal e tabu em grande parte do sudeste asiático, que tem algumas das mais severas punições do mundo por violações da legislação antidrogas.

Os traficantes de maconha podem estar sujeitos à pena de morte em Cingapura, Indonésia e Malásia, por exemplo.

Mas na Tailândia, a principal controvérsia com a legalização envolveu pedidos de patentes de empresas estrangeiras que lhes permitissem dominar o mercado, dificultando o acesso de pacientes tailandeses a medicamentos e de pesquisadores tailandeses a extratos de maconha.

“Vamos exigir que o governo revogue todos esses pedidos antes que a lei entre em vigor”, disse Panthep Puapongpan, reitor do Instituto Rangsit de Medicina Integrativa e Anti-Envelhecimento.

Alguns defensores tailandeses esperam que a aprovação abra caminho para a legalização com fins recreativos.

“Este é o primeiro pequeno passo”, disse Chokwan Chopaka, ativista do Highland Network, um grupo de defesa da legalização da cânabis na Tailândia.

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Fornecimento gratuito da maconha medicinal é aprovado em Goiás

Um projeto de lei que libera a distribuição gratuita dos medicamentos que contenham em sua fórmula a substância canabidiol (CBD), composto da maconha , foi aprovado em segunda votação na Assembleia Legislativa do estado de Goiás (Alego). A substância canabidiol poderá ser distribuída nas Unidades de Saúde Públicas estaduais e privadas, conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Escrito por Stéfany Fonseca, do portal Dia Online.

O autor do projeto é o deputado estadual Diego Sorgatto (PSDB). “Para a segurança da população, a Anvisa adotou critérios para a regulamentação do Canabidiol no País. Os medicamentos liberados até então partem da constatação de que a eficácia dos medicamentos se mostrou maior do que outros convencionais já utilizados”, destacou Diego.

Ainda de acordo com Sorgatto, o uso compassivo do canabidiol, um dos 80 derivados canabinóides da cannabis sativa, foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina, por meio da Resolução 2.113/14, para crianças portadoras de epilepsia. Após uma análise científica, foram avaliados todos os fatores relacionados à segurança e a eficácia da substância.

No Distrito Federal, a Lei 5.625, de 14 de março 2016, determina a distribuição de medicamentos que contenham em sua fórmula o canabidiol para pacientes portadores de epilepsia.

Substância da maconha é utilizada em vários tratamentos médicos

O projeto prevê ainda que, os pacientes com epilepsia, esquizofrenia, esclerose múltipla, autismo e outras doenças que afetem o sistema nervoso, independentemente de idade ou sexo, devem ser comtemplados. Para o uso do medicamento o paciente deve ter prescrição médica, e na receita deve conter o tempo de tratamento, data, assinatura e número do registro do profissional prescrito no Conselho Regional de Medicina. O tratamento requer ainda laudo médico, contendo a descrição do caso.

O canabidiol é um composto químico encontrado na planta Cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha, que, de acordo com estudos científicos, pode ser utilizado no tratamento de doenças como câncer, crises epilépticas e convulsivas, esclerose múltipla e doenças relacionadas ao sistema nervoso central.

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REAJA: Startup brasileira lança produto capaz de identificar Canabidiol

Foto page facebook Reaja

Tivemos a satisfação em poder conversar um pouco com um dos idealizadores de um produto que vem tendo destaque no mercado Cannabista brasileiro, estamos falando de um produto que identifica na planta a presença da substância Canabidiol.

Segundo Fabiano, a ideia surgiu no ano de 2015 quando seu Sócio, James Kava, se encontrou com Bruno Logan, no Congresso Internacional sobre Drogas em São João Del Rei no ano de 2015. Nessa oportunidade conheceram mais sobre a importância e carência de reagentes para identificação de substâncias.

Ainda segundo Fabiano, o REAJA CBD veio para cobrir um mercado ainda inexistente no país e principalmente auxiliar cultivadores e pacientes que fazem o uso da maconha medicinal a identificarem a presença da substância na planta.

Por exemplo, dentre as muitas variedades de Cannabis de uso recreativo,  apenas poucas possuem teores de CBD acima de 2%. Plantas com alto teor de CBD tornam-se raras, sendo necessária uma identificação para diferenciar as plantas.  (Não ha relação entre sativa ou indica com a concentração de CBD ou THC), para este caso, o REAJA CBD mostrará para o usuário por meio de uma cartela de reação em cor (amarelo e roxo), a presença do Canabidiol. Esse teste não tem nenhuma relação com a concentração de THC

Foto Fanpage Reaja

O frasco que protege os produtos é resistente a quedas e garante a segurança do usuario A tampa foi pensada para que o teste fosse feito nela própria e podendo ser lavada para ser reutilizada em novos testes. Acompanhando, vêm um par de luvas, manual de instrução e cartela com demonstrativo de cores para análise se há ou não Canabidiol.

Infelizmente, segundo Fabiano, o REAJA CBD ainda não traz em teste a possibilidade de mostrar em porcentagem  a quantidade de Canabidiol presente na planta, porém, diz que este será o futuro do produto em versão final e que a equipe de desenvolvedores está trabalhando para isto e no desenvolvimento de um teste para thc.

O REAJA CBD é produzido na cidade de Curitiba-PR, custa 35 reais e pode ser encontrado na Legalize Já ou quem preferir pode adquirir diretamente do laboratório o REAJA CBD pode ser encomendado diretamente pela página do Facebook REAJA o preço é o mesmo.

 

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Reino Unido legalizou agora permite que médicos receitem maconha medicinal

Lembra do caso de um menino de 12 anos com epilepsia grave que não teve permissão de usar óleo de maconha que falamos aqui no mês passado? Rápido ou não, um mês e cinco dias depois fez com que o Reino Unido legalizasse a maconha medicinal.

O ministro do Interior, Sajid Javid, disse nesta quinta-feira que médicos especializados poderão prescrever produtos medicinais derivados da maconha a partir do outono.

No entanto o uso recreativo por enquanto continuará sendo proibido.

A decisão vem na sequência de um caso de grande repercussão de um menino de 12 anos com epilepsia grave que não teve permissão de usar óleo de maconha, o que deu ensejo a um debate nacional e a uma revisão de especialistas.

“Casos recentes envolvendo crianças doentes deixaram claro para mim que a nossa posição a respeito de produtos medicinais relacionados à maconha não era satisfatória”, disse Javid.

“Seguindo os conselhos de dois grupos de conselheiros independentes, tomei a decisão de reclassificar os produtos medicinais relacionados à maconha – o que significa que eles estarão disponíveis mediante receita médica.”

Cientistas dizem haver cada vez mais indícios de que a erva pode amenizar a epilepsia e outras doenças, como dores crônicas, esclerose múltipla e enjoo provocado por quimioterapia, o que vem aumentando o interesse por esse campo.

No mês passado a GW Pharmaceuticals, que passou 20 anos desenvolvendo remédios de maconha, recebeu a aprovação da Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos para produzir o primeiro medicamento derivado da planta.

 

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Consegui a reunião sobre maconha com a ANVISA, mas nada de novo

Eu já havia pedido a revisão reunião, mas ela só foi aceita após a postagem Plantio de Maconha no Brasil x ANVISA e a pressão de ontem que fizemos juntos, acredito que muita gente também deve ter ligado e enviado email. Mas a reunião ainda foi pouco satisfatória, em resumo:

1) Teve a reunião sobre a regulamentação do Plantio no Brasil para pesquisa e produção de medicamentos à base de plantas controladas, no caso a maconha.

2) Renato Porto não definiu a data que irá pautar, mas afirmou que fará isso o quanto antes, pois esse assunto no momento é o tema de maior prioridade do seu gabinete.

3) Ele se preocupou em deixar claro que não é competência da ANVISA regular o auto cultivo e nem tratar assuntos de descriminalização e política sobre drogas.

4) Esperamos que em 3 semanas ele consiga fechar os últimos detalhes técnicos e a definição de que assuntos vai pautar, pois já passou da hora de andar com esse processo.

Precisamos avançar nas pesquisas e ter produção nacional.

Continuaremos lutando!

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Panorama | A importância do desenvolvimento do uso terapêutico da Cannabis

Recentemente, o diretor-presidente da Anvisa admitiu atraso na regulamentação do cultivo da planta, e já anunciou que deverá abrir uma consulta pública sobre o assunto. Além disso, a Fiocruz pretende desenvolver medicamento para epilepsia refratária. O Panorama discute a importância do desenvolvimento de remédios e as inúmeras dificuldades que os pacientes enfrentam como a disponibilidade, alto custo e importação.

Convidados: Maria Ângela Meireles, professora e pesquisadora da faculdade de alimentos UNICAMP. E Paula Dall Stella, diretora científica da ama+me – associação brasileira de pacientes de cannabis medicinal

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USP testa maconha sintética desenvolvida em laboratório para crianças com epilepsia

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto (SP) estão na fase final do desenvolvimento de uma versão sintética do canabidiol, substância derivada da maconha, que promete ser mais eficaz contra doenças como epilepsia, além de mais barata do que a versão (importada) atualmente aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A “nova maconha” ainda pode ter altas taxas comparado a planta natural e o pior, criar um novo lobby e continuar a estigmatização de uma planta natural.

Desde janeiro de 2015, o órgão reconhece e controla o uso do tratamento fitoterápico, ou seja, da substância extraída a partir da planta, para crianças e adolescentes com epilepsias refratárias, que não respondem aos tratamentos convencionais.

De acordo com o professor Jaime Hallak, da Faculdade de Medicina da USP, além de reduzir os custos com importação, a produção em laboratório promete garantir uma substância mais pura e completamente livre do THC, princípio que causa o efeito psicoativo da maconha.

A expectativa do grupo é de que, depois de aprovado como medicamento, o CBD sintético chegue ao mercado em dois anos.

“A grande diferença que nós temos é que pra formulação sintética nós não precisamos ter a plantação de cannabis [sativa]. Então, de uma maneira diretamente produzida no laboratório, você consegue a partir da estrutura molecular, com técnicas de bioquímicas e farmacêuticas, criar molécula com a mesma eficácia, de uma maneira muito mais barata e com uma quantidade muito maior e mais rápida do que você faz na produção a partir dos fitoterápicos”, afirma o pesquisador.

Em Ribeirão Preto, onde está em construção o primeiro centro de pesquisas em canabinoides do Brasil, também há pesquisas sobre o uso do canabidiol em patologias como mal de Parkinson.

Redução de custos
Após uma autorização da Anvisa, a dentista Nádia Ferreira Oliveira Marinho, de Ribeirão, começou a importar canabidiol da Inglaterra para sua filha de sete meses, que nasceu com microcefalia e sofre de epilepsia. O uso associado a outras medicamentos, segundo ela, tem demonstrado resultados positivos contra as convulsões.

“Nos primeiros dias percebi que o intervalo entre uma crise e outra tinha ficado um pouco mais espaçado”, conta.

A dentista Nádia Ferreira Oliveira Marinho, de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV) A dentista Nádia Ferreira Oliveira Marinho, de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
A dentista Nádia Ferreira Oliveira Marinho, de Ribeirão Preto (SP) (Foto: Reprodução/EPTV)
Por outro lado, a mãe reconhece que a obtenção da substância, além de cara, cotada em dólar e sem opção de parcelamento, é burocrática. Cada frasco custa R$ 1,5 mil.

“Não posso comprar um frasco, porque o valor de importação não compensa. A cada 20 dias é o prazo de entrega, então se eu comprar um frasco agora e usar um frasco por mês daqui a 20 dias já tenho que estar com outro em mãos, porque na hora que chega na metade do frasco já tenho que ter outro.”

Além da redução de custos, o canabidiol sintético desenvolvido pela USP promete ser livre do THC. Substância que, segundo professor titular de psiquiatria do departamento de neurociências e ciências do comportamento da USP, Antônio Waldo Zuardi, pode estar presente no produto hoje importado pelas famílias.

“As pessoas estão usando atualmente extratos de maconha rico em canabidiol que são importados e isso tem um problema relativamente grave, porque o canabidiol não é registrado como medicamento em nenhum país nesse momento. Esses extratos que são importados são liberados dos seus países de origem como suplemento alimentar, ou seja, não passam pelos controles todos que são exigidos para um medicamento”, diz.

Segundo Zuardi, os estudos do canabidiol na epilepsia começaram há mais de 30 anos, mas somente foram retomados nos últimos anos, depois que pais começaram a procurar alternativas para curar seus filhos.

O novo produto desenvolvido na USP ainda precisa ser submetido a testes clínicos e ser aprovado pela Anvisa antes de ser classificado como um medicamento. Ao todo, 180 crianças e adolescentes participarão da pesquisa. “O que a gente espera é comprovar o efeito protetor do canabidiol nas crises epilépticas e com isso preencher os requisitos necessários para o registro do canabidiol como medicamento.”

Além da epilepsia, a esquizofrenia e o mal de Parkinson são as patologias com estudos mais avançados em relação ao uso do canabidiol, de acordo com os pesquisadores.

Segundo Hallak, a versão sintética do derivado da maconha promete agir como um protetor dos neurônios e das funções transmissoras do cérebro.

“Vai fazer com que os neurotransmissores que estejam faltando possam ser aumentados e aqueles que estejam aumentados sejam diminuídos. Ou seja, tem uma ação, uma função de controlar ou de regular os sistemas neurotransmissores dentro do cérebro.”

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Maconha é coisa de velho: Estudos revelam que complicações durante o envelhecimento podem ser revertidos pelo uso da cannabis

A revista Scientific American Brasil publicou uma matéria super interessante sobre o envelhecimento, mostrando dados reais que maconha pode ser sim coisa de velho.

Envelhecer faz parte do ciclo natural da vida de qualquer ser humano. Não há como escapar, pelo menos por enquanto. O processo pode ser definido pelo acúmulo, em função do tempo, de mudanças fisiológicas com repercussões negativas sobre o desempenho físico e cognitivo. Em outras palavras, é o principal fator de risco para as doenças. Quanto mais velhos, maior a chance de adoecermos.

Neurotransmissores, que permitem a comunicação entre células do cérebro, diminuem em quantidade conforme o número de aniversários que comemoramos. Tais perdas são ainda mais marcantes nos distúrbios neurodegenerativos.

A anandamida (do sânscrito “alegria, felicidade”) e o 2-AG (2-araquidonoilglicerol) estão entre os neurotransmissores que mais minguam com o passar dos anos.

Ambos foram descobertos na década de 1990 pelo cientista radicado em Israel Raphael Mechoulam e equipe. Por serem produzidos pelo próprio corpo, foram batizados de endocanabinoides (do grego “o que vem de dentro, interno”).

Endocanabinoides, as enzimas que catalisam sua produção e degradação, e os receptores aos quais se ligam nas membranas das células formam o sistema endocanabinoide.

Onipresente nos tecidos centrais eperiféricos, o sistema endocanabinoide conecta o sistema nervoso ao imunológico e digestório e regula uma infinidade de processos neurofisiológicos, tais como apetite, memória, sensação de dor etc.

Endocanabinoides influenciam a atividade neuronal, a formação de novos neurônios e têm papel neuroprotetor. Camundongos modificados geneticamente, sem o receptor canabinoide CB1, apresentam precocemente os prejuízos cognitivos associados à velhice.

Processos inflamatórios do envelhecimento normal, e também observados nas doenças neurodegenerativas, são bloqueados por essas substâncias. Canabinoides facilitam a remoção de placas beta-amiloides, características da doença de Alzheimer, quando depositadas sobre neurônios em laboratório.

O sistema endocanabinoide é um grande regulador da homeostase (a condição de relativa estabilidade do organismo). Sua decadência explica muitos dos problemas do envelhecimento, incluindo alguns tipos de câncer, obesidade e demência.

Restaurar o funcionamento do sistema endocanabinoide pode ser estratégico para reverter perdas cognitivas e devolver saúde àqueles que vivem mais.

Trinta anos antes da descoberta da anandamida e do 2-AG, Raphael Mechoulam isolou uma substância exógena capaz de ativar o sistema endocanabinoide.

O delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) é uma molécula psicoativa presente nas plantas do gênero cannabis.

Hoje sabemos da existência de centenas de fitocanabinoides (do grego “vegetal”) e dezenas de receptores envolvidos na sua resposta biológica, razão das pesquisas sobre o papel terapêutico da maconha.

Em 2016, o time de Staci Gruber e Scott Lukas, nos Estados Unidos, acompanhou o impacto do consumo de cannabis medicinal sobre o aprendizado de adultos entre 32 e 74 anos de idade. Após 3 meses, os indivíduos tratados apresentaram maior velocidade na conclusão de tarefas sem perda de precisão quando comparados a controles da mesma idade e não tratados.

Os pacientes relataram também melhorias no estado clínico, redução do distúrbio do sono, diminuição dos sintomas de depressão e no consumo de remédios como opioides.

Em 2017, Andreas Zimmer e colegas na Alemanha demonstraram que doses moderadas de THC revertem o declínio cognitivo em camundongos adultos e idosos. O efeito comportamental foi acompanhado pelo fortalecimento da comunicação entre os neurônios e aumento da densidade do hipocampo, que passou a ter um perfil semelhante ao de animais jovens.

A equipe alemã avalia agora o efeito do THC em 100 voluntários humanos, com idades entre 60 e 70 anos. Esse tipo de estudo torna-se cada vez mais relevante, visto que o consumo de maconha aumentou 400% entre os sexagenários norte-americanos (não há levantamentos disponíveis para outros países).

Cabe mencionar que, na pesquisa da universidade de Bonn, roedores jovens expostos ao THC apresentaram performance cognitiva inferior ao observado nos animais da mesma idade que não receberam o fitocanabinoide. O resultado ratifica a necessidade de regulamentação da cannabis. Assim como o álcool, a maconha não é para adolescentes, jovens ou indivíduos com transtornos mentais. No futuro próximo, senhoras e senhores de meia-idade em diante lembrarão envergonhados de um dos maiores fiascos da breve história do homem na Terra: a guerra às drogas, especialmente à maconha.

Tais lembranças surgirão enquanto consomem cannabis e derivados prescritos por seus próprios geriatras, com o objetivo profilático de evitar perdas cognitivas e demências como Alzheimer.

Se depender da ciência, tudo indica que é isso mesmo que vai acontecer.

Stevens Rehen