No texto de hoje, Dr. André Barros, mostra que nossa luta é objetiva e também subjetiva, pois traz com ela a nossa história racista que explica a nossa realidade, onde o sistema penal entra com sua polícia matando jovens, negros e pobres nas favelas cariocas. Essa sociedade de controle, com sua mentalidade de limpeza social, ainda mete a porrada, prende e mata maconheiras e maconheiros. Por isso no próximo sábado, dia 9 de maio de 2015, no Jardim de Alah, já chamado de Jardim de Jah, às 4:20 da tarde, vamos à MARCHA DA MACONHA.

O único movimento social do Brasil garantido pelo Supremo Tribunal Federal é a MARCHA DA MACONHA. Na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF – 187 e na Ação Direta de Inconstitucionalidade ( ADI – 4274) foram pedidos que as interpretações das decisões judiciais sobre a Marcha da Maconha fossem conforme a Constituição Federal. Então, o Supremo Tribunal Federal, por 9 X 0, nas duas ações, decidiu que prender quem participasse da Marcha da Maconha no tipo de apologia ao crime ofende ao direito de fundamental de reunião, expressamente garantido pelo inciso XVI da Carta Magna. Ninguém pode ser preso por participar de um evento que discute a mudança de uma lei, nem a Constituição possui essa blindagem, é liberdade de manifestação de pensamento, de expressão e de informação.

A decisão da Suprema Corte foi impulsionada por representação protocolada por organizadores da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro em 2009 e foi pautada pela Marcha da Maconha de São Paulo em 2011, ano em que a ADPF 187 foi julgada, quinze dias depois da forte repressão sofrida pelo evento na avenida Paulista.

Nossa luta é nômade, desterritorializada e, ao mesmo tempo, ocorre na ocupação das ruas das cidades pela muldidão. Onde são fabricadas as subjetividades e modeladas suas elites e classes reprimidas e exploradas. Os negros degredados da África e escravizados no Brasil trouxeram o hábito de fumar a erva da paz. Esconderam em bonecas de pano as sementes que brotariam maravilhosamente nessa terra onde tudo que se planta, dá. A raiz da criminalização da maconha é racista e a primeira lei do mundo vigorou na cidade com o maior número de escravos do planeta. Estabelecia o § 7º da Lei de Posturas do Município do Rio de Janeiro “três dias de cadeia para os escravos que consumissem o Pito do Pango”, mais um nome dado para a maconha.

Escrevo tudo isso para mostrar que nossa luta é objetiva e também subjetiva, pois traz com ela a nossa história racista que explica a nossa realidade, onde o sistema penal entra com sua polícia matando jovens, negros e pobres nas favelas cariocas. Essa sociedade de controle, com sua mentalidade de limpeza social, ainda mete a porrada, prende e mata maconheiras e maconheiros. Esse biopoder não admite que maconheiros façam passeata. Mas essa luta já ganhamos e vamos fazer sempre até legalizar toda a cadeia de criminalização da planta reconhecida por Rabelais como a mais linda, a rainha das plantas.

No próximo sábado, dia 9 de maio de 2015, no Jardim de Alah, já chamado de Jardim de Jah, às 4:20 da tarde, vamos à MARCHA DA MACONHA.

Foto de Capa: Renato Cinco