Visitar a plantação, acompanhar as etapas do preparo e, no fim, sentir o aroma e degustar até 15 variedades do cobiçado produto final.

A descrição poderia ser de um tour por vinícolas na Califórnia. Mas o roteiro em questão ocorre no Colorado e não tem como principal atração o vinho, e sim a maconha.

A ideia não só permite ao visitante conhecer o funcionamento de um mundo ainda ilícito em outros Estados e países como atende a uma importante demanda: a de saber o lugar certo para fumar.

Com o veto ao uso da maconha em locais públicos, é em festas privadas oferecidas pelas agências de turismo ou nos próprios ônibus fretados que o visitante pode acender seu baseado sem restrição.

“Nosso principal problema hoje é onde fumar no Colorado. Tentamos proporcionar essa oportunidade para quem vem de fora”, diz Timothy Vee, da Colorado HighLife.

Matt Brown, um dos sócios da My 420 Tours, também entende a restrição como um dos filões de seu negócio. “Em alguns casos, é muito mais fácil fumar em Estados e países onde a maconha não é legalizada do que aqui. Mas a gente mostra que o turista tem opções”, afirma.

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Matt Brown, um dos sócios da My 420 Tours.

Os tours podem custar de US$ 80 a US$ 100 por pessoa, para um passeio de quatro horas, ou até US$ 1.200 para uma “experiência completa” de quatro dias, com três diárias incluídas em hotéis mais “tolerantes” com a droga.

Na primeira opção, o turista é levado às principais lojas e aos pontos turísticos da cidade. No trajeto, a maconha é liberada no ônibus.

No pacote da My 420 Tours há desde aulas para ensinar a fazer cookies, sorvetes e drinques com a erva a passeios às montanhas perto de Denver. Eles prometem levar os turistas a hotéis e resorts de esqui mais “tolerantes”.

A alta procura surpreendeu as agências, que têm estruturas pequenas -os tours são realizados pelos próprios donos, na maioria das vezes. Uma delas ainda opera na casa de um dos fundadores.

A My 420 Tours, que faz reservas pela internet, sustou os pedidos devido à demanda. Hoje há 4.000 pedidos em espera, dizem os donos.

A Colorado HighLife, que recebia até quatro pedidos por mês quando a maconha só era permitida para consumo medicinal, agora atende a mais de dez ligações por dia.

A empresa faz visitas privadas para grupos de até seis pessoas, mas é possível se juntar a um grupo maior, de 20, todo primeiro sábado do mês. Oportunidade para conhecer a cidade, fumar e -por que não?- fazer amigos.

Por Isabel Fleck
Via Folha de S.Paulo