Se uma substância ilegal é vital para manter a saúde de um filho, é preciso romper tabus.
Sob esse título a Revista Trip escolheu o caso de Katiele para o Trip Transformadores 2015, prêmio que completa nove anos, e busca revelar histórias e iniciativas inspiradoras, que nos fazem ver e pensar diferente.

A homenageada foi Katiele Fischer e sua história de luta pela liberação da importação de um medicamento derivado de maconha para tratar a rara síndrome de sua filha.
Katiele Fischer rompeu, em nível nacional, o tabu da comercialização do canabidiol (CBD), substância derivada de maconha, para uso medicinal.

 

Enquanto muitos dos homenageados deste projeto, que há nove anos figura a agenda de eventos da editora, apresentam projetos autorais, representam entidades e fazem de seu altruísmo uma ocupação profissional – sem qualquer demérito ou qualquer perda de legitimidade nisso, é importante ressaltar -, Katiele é simplesmente mãe. Mãe de uma criança que sofre da rara síndrome CDKL5, problema genético que causa epilepsia grave e sem cura. E mães nós sabemos: vão do Pari ao Pará, descalças, em um segundo, se isso mudar minimamente para melhor a vida de seus filhos. Katiele, no entanto, não precisou percorrer longos trajetos físicos para ajudar a sua filha, mas sim, transpor barreiras – próprias e alheias – que ultrapassam limites geográficos. Ela enfrentou, por exemplo, o próprio preconceito e a lei.

Leia também:  'Green Doctors' prescrevem maconha na Califórnia

Isso porque um simples remédio, capaz de diminuir exponencialmente as crises epiléticas de Anny, era legalmente proibido, impossibilitando uma vida mais tranquila e digna para esta e muitas outras crianças que sofrem dessa doença degenerativa. Sim, degenerativa. A CDKL5 não tem cura. E Katiele sabe disso, desde o começo – algo que causou uma comoção generalizada em pleno evento de abertura desta edição do prêmio. Sabe também que sua filha, tal qual qualquer ser humano, merece uma vida minimamente harmoniosa enquanto nos faz companhia aqui na terra. Foi isso que a motivou a quebrar, primeiramente, a própria aversão à possibilidade de dar algo derivado de uma droga ilícita para a própria filha e a travar uma briga na justiça para o uso do canabidiol (CBD), substância derivada de maconha, no tratamento da doença.

Leia também:  Família recebe primeira importação legal no Brasil de medicamento produzido a partir da maconha

ilegal-a-vida-nao-espera E ela conseguiu. Foi a primeira mulher brasileira a conseguir, dentro da legislação, o uso do remédio. E mais do que isso: serviu de exemplo para que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberasse o CBD sob recomendação médica. Em um mundo onde grandes heróis da ficção protagonizam filmes de tirar o fôlego, nada mais justo que uma heroína da realidade fosse personagem de uma obra cinematográfica. A história de Katiele e de Anny é contada no filme Ilegal – A vida não espera. E, fazendo uma analogia ao título do documentário: Katiele também não.

De fato não foi ela que liberou, mas que impulsionou o debate no ano de 2014.
Ela deu a cara a tapa, falou abertamente de maconha não só na tv, em filme como também diante de todas as tretas na comissão dos direitos humanos do Senado.
Parabéns Katiele pelo feito e, nosso desejo é que o estado abra os olhos para todas as propriedades da maconha, pois o filhos de muitas mães ainda estão sendo presos, quando não, mortos.

Escreva seu comentário

DESCONSTRUA

Please enter your comment!
Please enter your name here