O Chile é o primeiro país latino americano a iniciar um plano de doação e uso da cannabis medicinal.

Além dos stands do mercado canábico, o SmokeBud acompanhou algumas das diversas palestras da Expoweed que aconteceram no Teatro La Cúpula, auditório dentro do Parque O’Higgins no centro de Santiago. A palestra mais esperada pelo Smkbd foi a da Fundação Daya, que é uma ONG com objetivo de praticar terapias alternativas para aliviar o sofrimento humano, que atualmente iniciou um programa de doação de óleo rico em canabidiol.

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Entrada do Teatro La Cúpula – local onde aconteceram as palestras da Expoweed Chile 2014

No dia 8 de setembro a Fundação Daya (que significa “amor compassivo”) ganhou autorização para realizar o cultivo de 425 plantas de cannabis com objetivo de extrair um óleo rico em CBD (canabidiol), canabinóide com propriedades medicinais, que serão doados a 200 pacientes com câncer. Cem desses pacientes são da comuna La Florida, umas das 32 comunas que compõe a cidade de Santiago e é o local onde o cultivo está sendo realizado desde outubro. Os outros cem são pacientes da própria Fundação Daya.

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Atriz e presidenta da Fundação Daya, responsável pelo cultivo de cannabis medicinal no Chile

A palestra foi apresentada pela coordenadora da fundação, Ana Maria Gazmuri, que começou contando um pouco sobre o histórico do uso da cannabis pelo mundo. Ana também destacou que em 2013 o governo chileno autorizou a importação do medicamento Sativex e que isso foi um marco, pois mostrou um reconhecimento do uso terapêutico da cannabis pelo governo chileno. A presidenta da ONG, que também é atriz, contou que o SAG (Servicio Agrícola y Pecuário), uma espécie de Ministério da Agricultura do Chile, foi quem concedeu a autorização para o projeto, que leva o nome de Uso Compassivo do Óleo de Cannabis Como Medicamento Complementar. “Evidentemente é um plano piloto, mas não estamos conformados apenas com isso e queremos muito mais. Nosso sonho é ter um dia um dispensário medicinal” disse Ana. Ela também complementou dizendo que “nosso objetivo é capacitar o paciente, o usuário, para que cultivem sua própria planta e prepararem seu próprio remédio”. Ana acredita que o uso através do óleo extraído de plantas de cannabis é a melhor forma de consumo medicinal da erva, pois a duração do efeito é maior do que a erva fumada, se evita a ingestão de fumaça com a queima da flor da cannabis, além de ser acessível para o tratamento de crianças.

Ana contou ao SmokeBud como foi o relacionamento com o governo chileno e ela nos disse que “a fundação se reuniu com as autoridades e explicou a eles o alcance e do que se tratava o projeto. Logo perceberam que era algo sério e que estava muito bem desenhado. Quando havia qualquer preconceito a gente se sentava, explicava e isso foi com todas as autoridades e ministérios”.

O Smkbd também conversou com um dos fundadores da Fundação Daya, Nicolás Dormal, e ele nos informou que “a fundação é responsável por todo cultivo, colheita e extração do óleo, que assim que estiver pronto será disponibilizado a uma equipe de saúde própria e esta equipe vai administrar a dosagem além de acompanhar os resultados clínicos dos pacientes”. Também perguntamos a opinião dele referente aos grupos anônimos brasileiros que estão oferecendo este mesmo óleo medicinal para pacientes. Nicolás afirmou que o que o Brasil está fazendo é o caminho que vai mover o país para as fronteiras legais do uso medicinal”

Na pontinha…

O SmokeBud voltou desta palestra muito instigado a divulgar o que está sendo feito no Chile com relação ao uso medicinal da maconha. O parecer recém publicado pelo senador Cristovam Buarque sobre a SUG nº8 sugere que o Brasil fique atento e acompanhe exemplos de diferentes políticas para o uso medicinal da cannabis. Acreditamos que o exemplo do Chile seja um dos melhores e mais próximos da realidade brasileira, visto que existem grupos aqui no Brasil, por mais que ainda sejam anônimos, que possuem conhecimento para extrair óleo contendo canabidiol. Está na hora destes grupos mostrarem as caras e se sentarem junto ao senador Buarque para começarem um programa como o que está sendo feito pela Fundação Daya.

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